Partilhe nas Redes Sociais

AppCoins: «Participamos numa maratona e não num sprint de 100 metros»

Carolina Marçalo, diretora executiva App Store Foundation

Publicado em 12 Novembro 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 236 Visualizações

Há uma semana foi apresentada a App Store Foundation, uma estrutura criada para garantir a governação aberta das AppCoins. Lançada há um ano, a moeda virtual já é usada para pagar compras in-app na Aptoide e quer transformar-se no standard da indústria para este tipo de transações.

A loja portuguesa, a maior loja independente de aplicações para Android a nível global, é promotora do protocolo e da fundação que passa a geri-lo, mas já não está sozinha no projeto e a tarefa de angariar apoiantes vai continuar.

O objetivo da fundação, prevista desde o início do projeto, passa por criar condições para alargar a utilização da AppCoins a um consórcio de app stores. Com este passo pretende-se criar um modelo de governação independente, capaz de promover o desenvolvimento do protocolo e afirmá-lo como uma alternativa mais aberta e descentralizada que as soluções atuais de suporte a transações em lojas de aplicações.

Os mercados onde os sistemas mais convencionais de pagamentos móveis têm menos força oferecem maior potencial para afirmar uma alternativa como a AppCoins, num primeiro momento, mas os promotores da App Store Foundantion acreditam que o valor da proposta vai fazê-la vingar também em mercados mais maduros, como o europeu.

A missão de evangelização da AppCoins, vai continuar, agora no âmbito da fundação e com uma agenda abrangente de participação em eventos um pouco por todo o mundo, para dar a conhecer a iniciativa e com ações mais concretas, junto da comunidade de programadores, por exemplo.

O Ntech.news falou com Carolina Marçalo, diretora executiva da App Store Foundation, para saber mais sobre esta nova fase da vida da AppCoins e regista o otimismo, mas com a noção de que a caminhada é longa, ao estilo maratona.

 

Ntech:news: O grande objetivo da App Store Foundation passa por garantir a governação aberta do protocolo AppCoins. Porquê este posicionamento e que iniciativas estão previstas para alcançar o objetivo, durante os próximos meses?

Carolina Marçalo: As AppCoins, enquanto protocolo e projeto foram sempre pensadas como elemento aberto a toda a comunidade. Já desde o momento em que preparámos o White Paper sobre o protocolo que a anteviamos assim. Contudo, e porque fará parte de um consórcio de app stores, é preciso existir uma entidade que as governa, de forma autónoma, assegurando o desenvolvimento do protocolo. Temos previstos presenças em painéis e eventos onde a comunidade que queremos alcançar estará, por forma a conseguirmos atrair mais interessados e atingir os objetivos a que nos propusemos.

 

Fazer do protocolo AppCoins o método de pagamento líder nas lojas de aplicações, como pretendem, é um objetivo ambicioso. Que argumentos vão suportar o trabalho de evangelização do mercado que pretendem fazer?

C.M.: Existem várias estratégias colocadas em andamento. Uma delas, bastante recente, passa por um Programa de Incentivo a Developers. O princípio é simples: todas as semanas é distribuído, de forma proporcional, um total de 125,000 APPC pelos developers que integraram o protocolo, consoante o número de compras in-app. Quantas mais tiverem, maior é a percentagem do bolo total que recebem. O valor fica guardado e acumula semanalmente até poder ser recolhido em outubro do próximo ano. Por outro lado, case studies como o lançamento do Fortnite fora da Google Play ou as próprias coimas aplicadas pela Comissão Europeia dão-nos força e demonstram que, cada vez mais, o mercado precisa de uma alternativa mais aberta, descentralizada e fidedigna. A blockchain é, a meu ver, a tecnologia perfeita para isso.

 

As AppCoins podem ser uma solução interessante sobretudo para quem não usa outros meios de pagamento móveis, como se tem afirmado. De que dimensão de mercado estamos a falar?

C.M.:Inicialmente sim, os mercados em ascensão serão os mais importantes. O mercado asiático, indiano ou sul-americano, onde não existem tantas opções para pagamentos móveis. Por outro lado, acreditamos que o ecossistema irá tornar-se grande o suficiente para poder ser também adoptado por mercados mais maduros, como o europeu ou o norte-americano.

 

Um dos objetivo da App Store Foundation passa por promover a reunião de uma comunidade de lojas para a adoção do AppCoins. Já foram dados alguns passos nesse sentido? Há resultados que possam partilhar?

C.M.:Temos já connosco alguns early-adopters, como é o caso da Cherry Mobile, no mercado do Sudeste Asiático, ou a Multilaser, no mercado brasileiro. Porém, estamos a encetar contactos para que possamos contar com mais parceiros do lado das lojas de apps.

 

Apple e Google podem vir a ter interesse neste protocolo? Qual o impacto do apoio ou do não apoio das duas maiores lojas de apps do mercado?

C.M.: Por ora, o nosso objetivo passa por conseguirmos chegar primeiro a lojas com um tamanho mais reduzido. É necessário que o protocolo funcione no seu máximo potencial, que a tecnologia blockchain que aplicamos esteja madura o suficiente. Só a partir daí, acredito, existirá interesse por parte de players com outro tráfego e audiência.

 

Quais são os marcos mais relevantes neste último – que é também o primeiro – ano de vida da AppCoin, desde a comercialização dos primeiros tokens?

C.M.: Creio que um dos pontos mais importantes será o cumprimento exigente do roadmap que foi inicialmente definido com o White Paper. São inúmeros os casos de ICOs que derraparam dos seus objetivos e acabaram por se dissolver. As AppCoins são uma utility token e, nesse sentido, temos perfeita consciência que participamos numa maratona e não num sprint de 100 metros. Os resultados não serão de todo imediatos, e é normal que assim seja – mesmo falando da valorização da token em si. O principal objectivo é continuar, passo a passo, a cumprir com todos os pontos do roadmap definido.

 

No que se refere à moeda propriamente dita e ao desenvolvimento de serviços associados qual é roadmap para os próximos meses?

C.M.: No fundo, continuar a desenvolver a tecnologia, integrando-a dentro das lojas que adotaram o protocolo e a muni-la com mais formatos de pagamento, convenientes a todos os utilizadores. Neste momento, a primeira loja a adotá-la na íntegra foi a Aptoide, membro fundador da App Store Foundation. O objetivo é, ao longo dos meses, juntar mais developers, fabricantes de smartphones e lojas de apps ao protocolo, criando assim uma sinergia capaz de desenvolver este ecossistema alternativo.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados