Como é que as impressoras podem durar mais de 7 anos?
David Alcaide, Iberia General Manager da Xerox
Basta entrar num qualquer local de trabalho movimentado e rapidamente percebemos que a tecnologia mais valiosa nem sempre é a mais recente, mas sim é aquela em que as pessoas podem confiar todos os dias. As impressoras, os equipamentos multifunções (MFP) e os sistemas de TI que os suportam devem funcionar de forma consistente, nos bastidores e sem interrupções. Em ambientes onde uma paragem pode significar perda de tempo, dinheiro e confiança, a durabilidade não é um fator adicional, é uma necessidade empresarial.
Produtos duradouros podem reduzir a necessidade de substituições prematuras e contribuir para uma utilização mais eficiente dos materiais, quando acompanhados por programas de reparação, reutilização e recondicionamento. Ao mesmo tempo, as expectativas estão a mudar. Na Europa e em todo o mundo, reguladores, clientes e parceiros da indústria estão a dar cada vez mais importância à longevidade dos produtos, à sua reparação e circularidade.
O ciclo de renovação dos equipamentos de TI e de impressão pode ser dispendioso. Isto, pois envolve processos de aquisição, concursos, novos equipamentos, implementação, perturbações para os utilizadores e recursos de TI, tudo isto antes de qualquer benefício em termos de produtividade ser concretizado. Substituir equipamentos com maior frequência do que a necessária pode, por isso, tornar-se um peso para os orçamentos, as equipas e as operações.
É aqui que a durabilidade planeada assume importância. Produtos concebidos, mantidos e suportados para uma utilização mais prolongada podem ajudar os clientes a reduzir períodos de inatividade, prolongar o valor dos seus ativos e utilizar os recursos de forma mais eficiente ao longo de todo o ciclo de vida. Para as empresas, isto não representa apenas um benefício ambiental, significa também proteger os investimentos em tecnologia, reduzir perturbações operacionais e contribuir para um menor custo total de propriedade. Para o setor público, adquirir equipamentos que reduzam a pegada de CO₂ demonstra, não só uma gestão responsável do dinheiro dos contribuintes, mas também uma preocupação em encontrar soluções ambientais com o menor impacto possível nas gerações futuras.
Engenharia pensada para maximizar o valor ao longo do ciclo de vida
Acredito que a aposta numa tecnologia de longa duração começa no momento da conceção. Os equipamentos tendem a ser desenvolvidos de acordo com a durabilidade, a reparação e a reutilização, incluindo um elevado nível de familiaridade de componentes entre diferentes gamas de impressoras e equipamentos multifunções. Nas soluções de economia circular aplicáveis, até 95% dos componentes de uma máquina, em peso, podem ser reaproveitados.
Chamo a esta abordagem “engenharia intencional”. Integra estruturas industriais robustas em aço, materiais cuidadosamente selecionados e uma vida útil planeada de sete anos ou mais, em comparação com os ciclos de renovação de três a cinco anos que são típicos no setor. Já existem muitos equipamentos tecnológicos que estão a ser submetidos a testes rigorosos em câmaras ambientais especialmente concebidas para o efeito, que simulam condições que poderão encontrar durante a sua utilização, o que abrange temperaturas entre os -40 °C e os +43 °C.
A durabilidade depende também da facilidade de manutenção. Como os designs simplificados, com menos componentes e sistemas de camada única em que os sensores IoT monitorizam o estado dos equipamentos, enquanto a manutenção preditiva baseada em IA e a análise de dados podem ajudar a reduzir períodos de inatividade não planeados e a prolongar a utilização dos equipamentos. Memória adicional, capacidade de processamento multicore e atualizações contínuas de segurança contribuem para que os equipamentos se mantenham capazes e relevantes ao longo do tempo.
Os plásticos reciclados pós consumo (PCR) são outra componente importante desta abordagem ao ciclo de vida.
A durabilidade planeada não termina com o primeiro ciclo de vida. Quando um equipamento chega ao fim da sua primeira fase de utilização, pode ser adequado para recondicionamento ou renovação. Na Europa, algumas empresas já trabalham com operadores de recondicionamento de grande escala para dar uma segunda vida aos equipamentos elegíveis. Os equipamentos são avaliados, reparados, recebem novas peças sobressalentes sempre que necessário e são renovados para corrigir sinais de desgaste.
Para os equipamentos aplicáveis, esta abordagem pode permitir uma redução estimada de mais de 90% das emissões de CO₂ nas fases de obtenção de matérias-primas e fabrico, o equivalente a até 1,3 toneladas de CO₂ quando comparada com a produção de equipamentos novos. A reciclagem mantém-se como opção final, apoiada por programas globais de recolha que têm como objetivo evitar em 100% o envio de equipamentos para aterros.
Tudo isto ajuda parceiros e clientes a concretizar os seus objetivos de ESG, a reduzir a frequência de renovação dos equipamentos, e também a diminuir custos operacionais e períodos de inatividade, para além de maximizar o valor dos seus investimentos.
Uma circularidade alinhada com a direção da regulamentação europeia
O enquadramento regulamentar, especialmente na Europa, está a evoluir rapidamente. A União Europeia continua a promover políticas relacionadas com o ecodesign, a circularidade e a longevidade dos produtos, que incluem requisitos de rotulagem e mecanismos de responsabilidade alargada do produtor destinados a reduzir os resíduos e a promover uma utilização mais eficiente da energia e dos recursos.
Através do trabalho desenvolvido em torno do Passaporte Digital de Produto, que inclui informação como o conteúdo de matérias-primas e a pegada ambiental, e da utilização de IA, IoT e Machine Learning, têm como objetivo acelerar a circularidade ao longo de toda a cadeia de valor.
Quando chega o momento de renovar uma impressora ou um equipamento multifunções, os clientes precisam de mais do que novo hardware. Precisam de tecnologia concebida para uma utilização fiável e prolongada, apoiada por serviços de manutenção, reparação, reutilização e recondicionamento.
É aqui que entra o poder da tecnologia de longa duração, ajudar as empresas a prolongar a vida útil da sua infraestrutura de impressão, a tirar mais partido dos seus equipamentos e a gerar valor durante mais tempo.
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