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Competências híbridas dominam talento e salários em 2026

Publicado em 10 Fevereiro 2026 por Ntech.news | 4 Visualizações

O mercado de trabalho em Portugal entrou numa nova fase, em que a valorização do talento deixa de depender exclusivamente da função ou do setor. Segundo o Guia Salarial 2026 da Adecco Portugal, o profissional mais procurado é aquele capaz de integrar tecnologia, análise de dados, inteligência artificial e pensamento estratégico, sem abdicar de competências humanas como comunicação, liderança e pensamento crítico. Contrariamente à percepção de que a digitalização poderia substituir pessoas, o estudo confirma que a tecnologia amplifica a exigência sobre o talento humano. A capacidade de transformar dados em decisões estratégicas tornou-se transversal a áreas como Tecnologias de Informação, Finanças, Indústria, Supply Chain, Shared Services e Sales & Marketing.

«O mercado deixou de recompensar apenas o conhecimento técnico ou a senioridade. O talento mais valorizado em 2026 é aquele que consegue transformar ambiguidade em planos de ação, tecnologia em valor acrescentado e estratégia em execução», confirma Bernardo Samuel, country head of Permanent Recruitment da Adecco Portugal.

Uma mudança significativa apontada pelo Guia é a passagem de modelos de compensação uniformes para soluções personalizadas. As empresas estão cada vez mais a ajustar salários e benefícios às fases de vida, motivações e expectativas individuais dos colaboradores. Os salários competitivos continuam relevantes, mas flexibilidade, progressão transparente, bem-estar e alinhamento com o propósito organizacional surgem como fatores decisivos na retenção de talento, sobretudo em perfis escassos e qualificados.

Lisboa com remunerações mais elevadas

Lisboa continua a concentrar os salários mais altos, sobretudo em funções de TI, banca e liderança estratégica. Em Tecnologias de Informação, perfis especializados como Cloud Engineer, Data Engineer e especialistas em ERP (SAP) podem ultrapassar os 100.000 euros anuais, refletindo a escassez de talento e a elevada complexidade técnica exigida. Em Finanças, cargos de direção como Director Financeiro podem atingir 140.000 euros em Lisboa e 120.000 euros no Porto, enquanto funções estratégicas intermédias, como Business Controller, registam uma valorização consistente acompanhando a crescente sofisticação da análise de dados e gestão financeira.

No setor bancário e financeiro, funções como Compliance Officer, Internal Auditor e Credit Analyst mantêm-se entre as mais valorizadas. Em Lisboa, Compliance Officers recebem entre 23.000 e 35.000 euros, Internal Auditors entre 28.000 e 55.000 euros e Credit Analysts entre 25.000 e 40.000 euros anuais, refletindo diferentes níveis de responsabilidade e complexidade técnica. O Porto afirma-se cada vez mais como hub internacional, especialmente em Shared Service Centres, onde cargos de liderança como Head of SSC/GBS podem ultrapassar os 100.000 euros anuais, consolidando a evolução destes centros de operações para hubs estratégicos globais.

Setores sob maior pressão salarial

O Guia destaca a crescente valorização do middle management. Gestores intermédios capazes de ligar estratégia à execução são essenciais em processos de transformação digital e operacional, assumindo um papel central na estabilidade das equipas e controlo de processos. Esta valorização traduz-se em salários progressivamente mais altos face a anos anteriores, à medida que aumenta a complexidade organizacional. Apesar da valorização transversal de perfis estratégicos, setores como Retalho, Hospitality, Construção e algumas áreas de Recursos Humanos enfrentam desafios significativos na atração e retenção de talento.

No Retalho, Store Managers recebem entre 20.000 e 30.000 euros anuais, enquanto National Retail Managers podem atingir entre 35.000 e 70.000 euros. Em Hospitality, Front Office Managers recebem entre 23.000 e 35.000 euros e diretores de F&B até 75.000 euros, evidenciando fortes assimetrias internas.

Na Construção, funções técnicas como as de orçamentistas situam-se entre 35.000 e 65.000 euros, enquanto Diretores de Obra podem alcançar 70.000 euros, refletindo a dificuldade em atrair profissionais qualificados para funções operacionais. Em Recursos Humanos, Payroll Specialists recebem entre 20.000 e 35.000 euros, enquanto HR Directors podem ultrapassar os 100.000 euros, sublinhando o desafio de tornar carreiras intermédias mais atrativas.

O Guia Salarial 2026 recomenda às empresas que repensem a proposta de valor nestes setores, combinando remuneração competitiva, progressão clara, formação contínua e condições de trabalho flexíveis, como forma de atrair e reter talento qualificado e estabilizar equipas.


Publicado em:

Talento

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