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IA mobiliza capital de risco

Publicado em 9 Fevereiro 2026 por Ntech.news | 14 Visualizações

A inteligência artificial passou, em 2025, a principal destino do capital de risco mundial. Pela primeira vez, o investimento em startups de IA superou, em valor absoluto, todo o financiamento combinado dos restantes sectores apoiados por venture capital. A conclusão resulta do relatório da BestBrokers, que analisou dados de plataformas como a Pitchbook e a CB Insights, bem como informação financeira divulgada por alguns dos maiores fundos internacionais.

No total, as sociedades de capital de risco investiram 512,6 mil milhões de dólares a nível global em 2025. Deste montante, 270,2 mil milhões de dólares foram aplicados em startups de inteligência artificial. Na prática, a IA concentrou 52,7% de todo o investimento mundial em venture capital, um valor nunca antes registado. O crescimento é significativo quando comparado com anos anteriores. Em 2024, a inteligência artificial representava 40% do total investido. Em 2023, ficava-se pelos 27,5%.

América do Norte continua a liderar

O número global de operações continua a diminuir desde o pico registado em 2022. No entanto, os investidores estão a colocar mais capital em menos empresas, privilegiando startups com tecnologia comprovada, infraestruturas críticas e capacidade de escalar. A geografia do investimento mantém-se fortemente desequilibrada. A América do Norte continua a liderar de forma clara, com as startups de IA da região a captarem 214,5 mil milhões de dólares, o que corresponde a cerca de 80% de todo o investimento global em inteligência artificial. A Europa surge bastante atrás, com 36,7 mil milhões de dólares, enquanto a Ásia arrecadou 15,3 mil milhões. A América Latina e outras regiões somaram, em conjunto, 3,9 mil milhões de dólares.

Para o ecossistema europeu, em particular, para mercados como o português, estes números mostram a dificuldade em competir por capital num contexto cada vez mais centrado nos grandes polos tecnológicos norte-americanos. Ainda assim, a inteligência artificial revelou uma resiliência que não se observa noutros sectores. Em 2025, as startups de IA representaram 31,4% de todas as operações de venture capital realizadas no mundo, quando em 2021 esse peso era de apenas 20,5%. Ao longo do ano, o investimento trimestral em IA manteve-se elevado, variando entre 56,9 e 75,5 mil milhões de dólares, absorvendo cerca de metade de todo o capital disponível em cada trimestre.

O mercado dominado por mega-rondas

O exemplo mais expressivo foi o investimento de 40 mil milhões de dólares da SoftBank na OpenAI, a maior ronda privada alguma vez registada. Destacam-se ainda os 14,3 mil milhões de dólares investidos pela Meta na Scale AI e a ronda de 13 mil milhões de dólares da Anthropic, que avaliou a empresa em 183 mil milhões de dólares. Estes movimentos confirmam a forte concentração do capital num número muito reduzido de líderes globais em inteligência artificial.

Também do lado das saídas começam a surgir sinais positivos. Em 2025, o valor das saídas de startups de IA atingiu 189,6 mil milhões de dólares, o que representa 34,5% de todas as saídas de venture capital a nível mundial. Em 2024, esse valor ficava nos 21,8%. O aumento indica um regresso gradual da liquidez, sobretudo para empresas de IA em fases mais avançadas, num contexto em que outros sectores continuam a enfrentar dificuldades.

Segundo Alan Goldberg, da BestBrokers.com, 2025 marcou um ponto de viragem claro para as startups de inteligência artificial em todo o mundo. «Depois de vários anos em que a IA atraía atenção crescente, mas competia com muitos outros sectores pelo capital, foi o primeiro ano em que a inteligência artificial se tornou o principal destino do investimento em termos absolutos», constatou o responsável.

O responsável sublinha que esta mudança «não foi impulsionada por um aumento do número de negócios, que continuou a cair em todo o mercado, mas por um crescimento sustentado do valor médio das rondas, à medida que os investidores concentraram capital num grupo mais pequeno de empresas com tecnologia comprovada, relevância em infraestruturas e percursos credíveis de crescimento».

Alan Goldberg acrescenta ainda que a recuperação da atividade de saídas sugere que a liquidez está a começar a regressar para os líderes em fases mais avançadas, mesmo com os mercados de saída a continuarem difíceis noutros sectores. Para 2026, antecipa «uma fase mais madura do ciclo de investimento em IA, menos marcada pela especulação e mais por uma competição intensiva em capital entre um número reduzido de atores globais, onde o acesso a computação, dados e distribuição será tão importante como o desempenho dos próprios modelos».


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Negócios

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