IBM ajuda a IA a dar o salto nas empresas
Apesar do entusiasmo global em torno da IA generativa, muitas empresas encontram-se estagnadas num limbo piloto. Os obstáculos são vários: ambientes híbridos fragmentados, silos de dados, falta de governança automatizada e dificuldades de integração entre sistemas. No TechXchange, a IBM tratou de confrontar essas fragilidades com anúncios que reforçam a transição da IA de teste para operações reais. A “Big Blue” depositou apostas ambiciosas num futuro em que agentes, infraestrutura e automação convergem num sistema operável e confiável.
Nas palavras de Dinesh Nirmal, Senior Vice President of Products, IBM Software, a produtividade da IA «é a nova velocidade dos negócios» e estas funcionalidades irão ajudar os clientes a remover obstáculos em todo o seu ciclo de vida tecnológico. Para este responsável, as melhorias no portfólio permitirão «proporcionar aos clientes capacidades que levam a produtividade dos programadores, a orquestração agêntica e a inteligência da infraestrutura ao próximo nível».
watsonx Orchestrate
No coração da proposta está o watsonx Orchestrate, uma plataforma de agentes que agora reúne mais de 500 ferramentas e customizações, integrando agentes IBM e de parceiros. Concebido para operar em qualquer ambiente, o Orchestrate permite implementações escaláveis e, sobretudo, robustas em governança.
A peça que dá coerência a este ecossistema é o AgentOps, uma camada integrada de controlo em tempo real. Num caso ilustrado para um agente de RH, o AgentOps torna visíveis e auditáveis ações sensíveis, permitindo detetar anomalias e garantir conformidade. Sem essa camada, os processos internos podem ser opacos até emergirem incidentes. Para além disso, foram acrescentadas duas novidades que acrescentam robustez ao produto:
Fluxos de Trabalho Agênticos: módulos reutilizáveis que permitem sequenciar múltiplos agentes de forma consistente, superando a fragilidade de scripts ad hoc em produção.
Integração com Langflow: uma interface visual drag-and-drop que facilita a construção de agentes por equipas sem conhecimento profundo de código — em desenvolvimento técnico, com previsão de lançamento no final de outubro.
Também merece destaque a futura versão watsonx Assistant for Z: agentes desenhados para sistemas IBM Z, capazes de transitar de uma abordagem reativa para uma gestão operacional proativa, mantendo o compliance e o contexto conversacional.
Projeto infragraph
Para que os agentes de IA operem com segurança e sentido, é essencial que a infraestrutura disponha de um “mapa vivo”, transparência, contexto e governança são requisitos inegociáveis. Aqui entra o Project infragraph, da HashiCorp (agora sob tutela da IBM), nossa ferramenta central de controle unificado.
Anunciado no HashiConf 2025, o infragraph cria um grafo em tempo real que liga infraestrutura, serviços, dados, políticas e propriedade. Ele permite uma visão relacional e dinâmica, em vez de relatórios estáticos, e serve como plano de controlo inteligente para automatização contextual. Quando uma vulnerabilidade (CVE) é identificada, por exemplo, o infragraph evita que a resposta seja a tradicional cascata de e-mails e planilhas: uma visão integrada revela todas as instâncias vulneráveis e permite aplicar correções de forma coordenada e auditável.
Esse sistema deverá ser disponibilizado como funcionalidade no HashiCorp Cloud Platform (HCP) e expandir-se gradualmente para integrar produtos IBM como Ansible, OpenShift, watsonx Orchestrate, Concert, Turbonomic e Cloudability.
Importa realçar que o infragraph está em fase de pré-inscrição para beta privado, com abertura prevista para dezembro de 2025.
Project Bob dá a mão ao programador
Enquanto o Orchestrate trata do funcionamento operacional, o Project Bob foca-se no ciclo de desenvolvimento (SDLC). Agora em privativa e sob pré-visualização técnica, este IDE “IA-first” pretende trabalhar lado a lado com desenvolvedores — não apenas como assistente de código, mas como parceiro ativo em todo o fluxo.
O Bob orquestra múltiplos LLMs (Anthropic Claude, Mistral, Llama, IBM Granite) para tarefas como:
- Modernização de aplicações em larga escala, incluindo refatorações e migrações automatizadas;
- Geração e revisão de código inteligente, com consciência arquitetural, de segurança e compliance;
- Orquestração ponta a ponta, mantendo o contexto mesmo entre sessões;
- Segurança “shift-left”, incorporando detecção de vulnerabilidades e requisitos regulatórios desde o início do ciclo.
- Apoio à migração criptográfica para o paradigma pós-quântico.
Para o Project Bob, a IBM anunciou ainda uma parceria com a Anthropic, integrando modelos Claude no seu portfólio e lançando um guia conjunto, “Architecting Secure Enterprise AI Agents with MCP”, para orientar boas práticas no ciclo de vida de agentes.
Ecosistema aberto
Uma das dificuldades mais persistentes para adoção empresarial de IA é o risco percebido de lock-in tecnológico. Em resposta, a IBM reforçou no TechXchange o seu compromisso com a flexibilidade: os novos agentes, ferramentas e modelos podem ser integrados em infraestruturas existentes ou numa arquitetura híbrida, com liberdade de escolha de tecnologias.
A parceria com a Anthropic é emblemática desse modelo aberto: modelos Claude integrarão produtos IBM selecionados, fomentando um ecossistema que não obriga a exclusividade. Nesse sentido, o uso de Model Context Protocol (MCP), protocolo que media a interação entre agentes e contexto de infraestrutura, aparece como um pilar estrutural da nova estratégia IBM.
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