Indústria desportiva na mira de ciberataques
A indústria global desportiva, com receitas estimadas superiores a 700 mil milhões de dólares em 2026, está a tornar-se um alvo cada vez mais atrativo para os cibercriminosos em todo o mundo devido às suas enormes receitas e rápida transformação digital.
Esta é a principal conclusão do mais recente estudo da NCC Group, em parceria com a Phoenix Sport & Media Group (PSMG) e a Universidade de Oxford, intitulado “O Adversário Oculto: Ameaças Cibernéticas no Desporto”.
De acordo com o relatório, das tecnologias de monitorização da saúde dos atletas à integração de tecnologia inteligente nos estádios, a expansão da transformação digital na indústria desportiva aumenta significativamente a sua vulnerabilidade a ciberataques.
Muitas organizações não dispõem do conhecimento e dos recursos para contra-atacar estas ameaças, diz ainda o estudo.
O mundo do desporto tem uma enorme necessidade de medidas de cibersegurança para garantir a longevidade numa era crescentemente digital e conectada.
A investigação produziu informações sobre as ameaças à cibersegurança que o desporto enfrenta e sobre o que pode ser feito para melhorar a maturidade nesta área e a proteção das suas organizações, colaboradores, desportistas, adeptos e espectadores.
Em comparação com outros setores (particularmente os que são altamente regulados), o desporto está em fases muito iniciais de maturidade cibernética, lutando para acompanhar o ritmo da tecnologia, o cenário de ameaças e a natureza dinâmica do desporto em geral.
As entrevistas identificaram várias preocupações de cibersegurança. No geral, existem baixos níveis de maturidade em cibersegurança e abordagens desatualizadas entre equipas e clubes. Há uma “alarmante falta de funções de TI e cibersegurança em toda a indústria”, com Chief Information Security Officers (CISO) pouco comuns, o que significa uma falta de funções dedicadas a proteger contra ataques cibernéticos.
A pesquisa refletiu também a falta de recursos financeiros, com os entrevistados a considerar que convencer os conselhos de administração a investir em cibersegurança era desafiador, mesmo nos casos em que os riscos específicos tinham sido identificados, o que constitui um contraste profundo entre o elevado desempenho destas estruturas e a sua baixa maturidade em cibersegurança.
Os entrevistados revelaram-se profundamente apreensivos com diversas ameaças cibernéticas potenciais contra as suas organizações e com os danos financeiros e a reputação resultantes de qualquer incidente.
As preocupações incluiram ransomware, roubo de dados, ataques contra estádios e locais conectados e o potencial impacto na segurança dos jogadores e espectadores, ameaças internas devido a procedimentos de verificação limitados e até espionagem rival, realizada através de atividades cibernéticas.
Fora das preocupações organizacionais, alguns entrevistados salientaram as grandes pegadas digitais de desportistas de alto nível e como, devido à sua grande presença online, podem estar expostos a várias ameaças cibernéticas, incluindo sequestro de contas de redes sociais, bullying cibernético e comprometimento geral de contas de e-mail/laptops na tentativa de obter informações confidenciais, pessoais, de saúde e/ou financeiras.
Como tal, alguns consideraram que as organizações desportivas podem ter um dever cibernético de cuidar dos seus desportistas, e que a formação e a orientação adequadas devem ser fornecidas aos desportistas para ajudá-los a estar seguros e protegidos online.
“São frequentes as administrações que pensam que um software antivírus básico e algumas firewalls são suficientes para a defesa das suas organizações, realçando uma compreensão desatualizada das necessidades modernas de segurança”, adianta o relatório.
A propósito da pesquisa, Matt Lewis, Global Head of Research da NCC Group disse esperar que o relatório “forneça tanto clareza sobre as vulnerabilidades enfrentadas pela indústria, quanto soluções práticas que podem ser implementadas para melhorar a forma como a indústria previne e se prepara para potenciais ciberataques. Implementar as estratégias e recursos delineados no relatório pode ajudar a preservar a reputação da marca, confidencialidade da informação e integridade dos jogadores e organizações da indústria”.
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