Partilhe nas Redes Sociais

PUB

«Mais do que o número de clouds de cada empresa, o que interessa é a boa gestão destes ambientes»

Jorge Reto, Country Manager da Google Cloud

Publicado em 27 Agosto 2019 por Luísa Dâmaso - Ntech.news | 182 Visualizações

A Google tem vindo a afirmar-se como um fornecedor de soluções cloud para empresas e disponibiliza hoje uma oferta completa de serviços nesta área. Em Portugal identifica uma clara oportunidade de crescimento neste domínio, como disse em entrevista ao Ntech.news Jorge Reto, country manager da Google Cloud no país. 

O responsável defende que a cloud é um requisito incontornável para a transformação digital das empresas, com vantagens e ganhos claros para quem percorre esse caminho, onde a Google e a rede de parceiros que preferencialmente leva as soluções ao mercado, querem consolidar posição.  

Jorge Reto fala na estratégia para o mercado local e na oferta, destacando o lançamento recente de uma nova ferramenta, que permite às empresas desenvolverem uma única aplicação na cloud, que funcionará na infraestrutura da Google ou de qualquer fornecedor cloud do mercado. Para o responsável, a Anthos (nome desta nova ferramenta), é mais um sinal da vontade da multinacional em se afirmar como «o parceiro de excelência das empresas portuguesas na sua transformação digital», posicionando a Google como um aliado para a boa gestão dos ambientes cloud, um dos aspetos mais críticos para tirar partido do potencial da cloud, defende o responsável. 

Ntech.news: Na sua opinião, as empresas portuguesas já sabem tirar partido da cloud?

Jorge Reto: Estamos todos num processo de aprendizagem e com grande margem de crescimento. Há muitas empresas que já utilizam clouds para infraestrutura as a service (IaaS) mas o PaaS – que é onde está o verdadeiro valor da Cloud e onde as empresas podem realmente gerar muito valor – está ainda em expansão. As empresa ainda estão a olhar para a migração da infraestrutura, mas onde é possível melhorar processos de inovação é no momento em que começam a adotar plataformas de cloud que permitem ao cliente focar-se no processo de negócio, ou na inovação, deixando de estarem preocupados com a infraestrutura ou com a sua gestão. Queremos continuar a ser o parceiro de inovação para as empresas portuguesas.     

Que percentagem de empresas portuguesas utiliza 100% do potencial da cloud? E que tipo de empresas são estas? 

JR: Não consigo precisar um número ou uma percentagem, mas as startups ou as empresas digitalmente nativas, que já nasceram na cloud mesmo que já tenham alguns anos, são as que têm os seus sistemas 100% na cloud. Conseguimos muitas vezes ver as vantagens competitivas que têm por isso mesmo.

«Há muitas empresas que já utilizam clouds para infraestrutura as a service (IaaS) mas o PaaS – que é onde está o verdadeiro valor da Cloud e onde as empresas podem realmente gerar muito valor – está ainda em expansão»

O que está a falhar na visão dos gestores que ainda não utilizam? Quais são os principais receios?

JR: Não digo que esteja a falhar, simplesmente existem empresas que ainda não se debruçaram convenientemente sobre este tema para entender, remover receios e delinear uma estratégia. Por isso, há aqui uma clara oportunidade de crescimento. É este trabalho que nós Google Cloud em Portugal em conjunto com a nossa rede de parceiros temos vindo a desenvolver junto das empresas portuguesas. 

Onde considera haver maior potencial para a cloud crescer no nosso mercado?

JR: Em termos de segmentos de empresas creio que todos, sem excepção. Mas mais do que segmentos o maior potencial está na adoção de PaaS, onde podemos redefinir processos de raiz, redesenhar aplicações, tirar partido da totalidade das funcionalidades da cloud e com um custo baixíssimo. Isto tem um potencial enorme e desafio todas as empresas, sem excepção, a analisarem e a perceberem as ofertas de PaaS que existem… esta é a verdadeira transformação digital. E nós Google Cloud podemos e queremos ser o parceiro ideal nessa transformação. Recentemente lançámos e passámos a disponibilizar uma nova ferramenta – Anthos – que, pela primeira, vez permite a uma empresa desenvolver uma única aplicação na cloud e depois fazê-la funcionar na infraestrutura da Google ou de qualquer fornecedor cloud do mercado. Mais do que o número de clouds que cada empresa tem, o que interessa é fazer-se uma boa gestão destes ambientes. Há quem apelide a Anthos de “game changer”. Nós preferimos olhar para ele como mais um sinal da nossa vontade de sermos o parceiro de excelência das empresas portuguesas na sua transformação digital. 

Como pretendem mobilizar os gestores portugueses da velha guarda para a cloud? Que “argumentos” têm?

JR: Não acredito em velha guarda ou novos gestores, acredito em gestores que analisam profissionalmente as suas opções e tomam decisões, e mais tarde ou mais cedo todos irão fazer esta análise.

Há quem apelide a Anthos de “game changer”. Nós preferimos olhar para ele como mais um sinal da nossa vontade de sermos o parceiro de excelência das empresas portuguesas na sua transformação digital.

Há falsas/vãs ofertas cloud em Portugal que estão a baralhar os gestores e a desviá-los do que realmente importa? 

JR: Neste momento, creio que que existem ofertas para tudo o que uma empresa pretende ou precisa. O único conselho que posso deixar é que cada empresa procure consultar os diferentes Cloud Providers e a sua rede de parceiros para entenderem melhor o que precisam. No caso das soluções Google Cloud, como os nossos serviços (sejam eles de produtividade, SaaS, PaaS ou de Inteligência Artificial) podem ajudá-las a criar vantagens competitivos face aos seus concorrentes e a ajudá-los na transformação digital e nos processos de inovação.      

Qual o balanço que faz desta jornada à frente da Google Cloud?

JR: Extremamente positivo, em todos os aspetos: números, projetos, equipa e parceiros. E para ajudar, a Google é uma empresa fantástica que se preocupa genuinamente com os seus clientes, empregados e comunidade em geral. Além do mais, proporcionamos hoje uma oferta de soluções empresariais ímpares e que depois de se experimentar compreende-se o porquê do sucesso da Google nos últimos 20 anos… 

Como caracteriza neste momento a atividade da unidade de cloud da Google em Portugal?

JR: Em franco crescimento e em linha com a aposta da companhia a nível mundial.  

Que estratégia/objetivos têm para os próximos dois anos?

 JR: Afirmar a Google Cloud como a oferta de cloud para o mercado empresarial, consolidar a rede de parceiros e fazer crescer a equipa em Portugal.

A cloud é um requisito fundamental para a transformação digital?

JR: Eu penso que é o “requisito” em todas as suas vertentes e com vantagens inestimáveis para os negócios e para os processos de inovação.

A nossa oferta é na grande maioria soluções que desenhámos para nós, para suportar negócios para milhares de milhões de utilizadores

O que traz de inovador a Google ao mercado saturado de ofertas cloud? 

JR: Penso que o facto de termos nascido já na cloud torna-nos diferentes. A nossa oferta é na grande maioria soluções que desenhámos para nós, para suportar negócios para milhares de milhões de utilizadores tais como o motor de busca, o Gmail, Youtube, Google Maps, Google Photos, etc, etc. Temos muita experiência em escalar e suportar sistemas que não podem falhar, e tal como já referi anteriormente oferecemos grande parte destas soluções em modelos PaaS. E aqui reside realmente a grande diferença.

Em que áreas estão e vão investir para levar o maior número de negócios para a cloud?

JR: Temos vindo a trabalhar quase com todos os tipos de segmentos de negócios e para responder a diferentes tipos de necessidades, das mais simples às mais complexas. Do retalho aos setores da energia, passando pela indústria automóvel e pela saúde temos vindo a trabalhar com empresas portuguesas de todas as dimensões e setores. E queremos continuar a fazer o nosso caminho.

Qual é a oferta que têm disponível e em que moldes? 

JR: A oferta é imensa e diversificada e para todo o tipo de necessidades das empresas. Mais do que contratos a longo prazo – independentemente do tipo de utilização que as empresas fazem das soluções contratualizadas – a nossa aposta reside mais em soluções escaláveis, em que as empresas podem a qualquer momento fazer um upgrade ou downgrade às soluções Google que utilizam e em função das necessidades de cada momento. 

A rede de parceiros é uma peça chave no vosso negócio cloud?

JR: Talvez a peça mais importante. Sem a nossa rede de parceiros seria muito complicado. Nós apostamos muito em chegar aos clientes através de uma força de vendas estendida (os parceiros) e acreditamos mesmo que os parceiros nos vão ajudar nesta jornada. Existe uma mensagem diferente da Google Cloud para os clientes e esta mensagem só pode ser divulgada pelos nossos parceiros de confiança… 

É um negócio 100% canal?

JR: Não é 100% canal, mas é preferencialmente canal… 


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados