Partilhe nas Redes Sociais

Menos de 20% das empresas portuguesas usam cloud computing

Publicado em 29 Setembro 2017 por Ntech.news | 495 Visualizações

A transformação digital está na mente dos empresários portugueses, mas a maioria não tem as ferramentas nem os processos operacionais necessários para executar a sua estratégia. É uma das conclusões do «Índice de Densidade Digital» da Accenture Strategy, desenvolvido em colaboração com a Oxford Economics. Na terceira edição deste índice, são apresentadas estratégias que podem ser usadas em Portugal para fazer crescer a economia a reboque da transformação digital.

O caso do cloud computing, desde a virtualização de servidores a bases de dados, mostra que há muitas oportunidades para dar o salto. Menos de 20% das empresas portuguesas utilizam este tipo de serviços, principalmente por causa da falta de sensibilização dos decisores. Cerca de 71% dos executivos acham que têm uma estratégia digital bem definida, mas mais de 80% não tem a tecnologia nem as operações adequadas. A Accenture destaca a sensibilização para a eficiência de custos e a atração de empresas internacionais para aumentarem investimento como alavancas para a adoção da nuvem nos negócios.

O Índice é contabilizado com base na evolução de mais de 30 indicadores, entre os quais o nível de competências digitais, a utilização de métodos de trabalho digitais, o investimento em novas tecnologias (por exemplo, robótica e inteligência artificial), as infraestruturas do país e as políticas e estímulos ao desenvolvimento de uma economia digital.

«O papel das tecnologias digitais está a mudar – deixou de ser fundamentalmente de ganhos de eficiência para servir de base à inovação e disrupção em estreita relação com a estratégia de negócio», indica Luís Pedro Duarte, vice presidente da Accenture e responsável pelo estudo. «As barreiras existentes entre as indústrias estão a ser quebradas e as empresas dominantes a ser desafiadas ou até ultrapassadas por novos modelos de negócio, alavancados em tecnologias digitais», continua. «A velocidade de mudança é cada vez mais rápida e toda esta transformação requer uma reflexão sobre os impactos, não só nas organizações, como na sociedade e na economia».

A premissa da Accenture é que o aumento do Índice de Densidade Digital tem um impacto significativo na produtividade e no crescimento do PIB. O impacto é maior quanto menor for a maturidade digital do país; ou seja, o fosso é uma oportunidade de aumentar o ritmo de crescimento económico. O relatório posiciona Portugal entre as 25 primeiras economias do mundo analisadas pelo estudo, numa posição superior quando comparado com o PIB dos restantes países analisados.

Uma das áreas que a Accenture refere como sendo de intervenção prioritária em Portugal é a duplicação do peso dos especialistas de tecnologia na força de trabalho, de 2,5% para 5%. É que as competências tecnológicas digitais dominam a lista das mais procuradas pelas empresas e o número de novos alunos formados pelas universidades nestas áreas não chega para responder aos empresários portugueses. A percentagem de diplomados no ensino superior na área de Ciências, Matemática e Informática em Portugal é de 7% (na Alemanha, por exemplo, é de 14%). As ações de capacitação digital que podem ser postas em marcha incluem a adoção de modelos de recrutamento flexíveis (por exemplo, recursos internacionais) e o fomento da reconversão de perfis para o digital (tal como a criação de programas universitários para pessoas com experiência).

Outra área de intervenção é a do investimento anual em analítica e nuvem. A proporção do investimento das empresas deve aumentar 35% em analítica e 250% em soluções de nuvem, diz a Accenture. Isto porque os esforços do desenvolvimento de analítica permitem obter um maior conhecimento do cliente e garantir serviços mais personalizados e simplificados. Com um investimento de cerca de 40 milhões de euros neste domínio (dados de 2016), Portugal utiliza apenas 0,6% do orçamento do software das empresas de tecnologia.

Na nuvem, como já referido, menos de 20% das empresas usam serviços de cloud computing.

E o papel do Estado?

A Accenture considera que o Estado desempenha um papel fulcral na potenciação de políticas e iniciativas que impulsionem a adoção do digital. É necessária a promoção da literacia digital dos cidadãos, já que 26% dos portugueses nunca usaram internet, comparativamente com 14% na UE28.

Por outro lado, agora que o país saiu da crise,«é altura de se voltarem a promover iniciativas que garantam a desmaterialização continuada dos serviços da Administração pública». O Índice destaca também que a procura por capital e novos investimentos em Portugal que ajudem a uma revitalização mais rápida da economia pode ser acelerada através da captação de investimento estrangeiro.

«A solução nacional está na proatividade em inovar e evoluir a um ritmo superior, e na preparação das empresas para fazerem parte de um novo ecossistema: entre parceiros internacionais e de outras indústrias, startups e universidades», sublinha Luís Pedro Duarte. Segundo ele, deve aproveitar-se a qualidade das universidades portuguesas e estimular a competitividade das cidades, posicionando-as como hubs de atração de talento e investimento.

 


Publicado em:

Atualidade

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados