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Novas estratégias para atrair e reter talento estão a mudar as empresas

Publicado em 6 Dezembro 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 494 Visualizações

A consciência de que as pessoas são a pedra de toque de qualquer organização está cada vez mais presente nas empresas e nas tecnológicas, pela escassez de recursos que começa a fazer sentir-se em muitas áreas e por serem elas a matéria-prima dos serviços que se entregam aos clientes, o tema ganha ainda mais relevância. 

Isso mesmo ficou patente no painel de recursos humanos da 2ª edição da conferência Falando TI, que esta quinta-feira teve lugar no Oceanário de Lisboa. As organizações estão bem cientes de que as suas pessoas são o elemento mais determinante no sucesso – e no fracasso – de qualquer estratégia e começam a adotar abordagens inovadoras e a atuar em várias frentes. 

Reter recursos, potenciar a felicidade no ambiente de trabalho e garantir que os líderes estão preparados para guiar esta mudança revelaram-se as grandes preocupações dos responsáveis que participaram na sessão. 

A felicidade (também já) é um assunto profissional

A PHC tem várias iniciativas nesta área e Ricardo Parreira, CEO da software house, resumiu assim o que as orienta: «estamos muito concentrados no Best Experience at Work e vemos a felicidade como um dos eixos». Mas o responsável também explicou que «na PHC acreditamos que a felicidade de cada colaborador depende de si». A empresa encarrega-se de fornecer as ferramentas para desenvolver «uma atitude para a felicidade», através da formação. E não é a única a seguir este rumo. 

Liliana Silva, partilhou a experiência e a estratégia da Milestone neste domínio e revelou que 60% do budget de formação da empresa está orientado para questões de comportamento. Um dos objetivos é preparar os colaboradores para saberem tirar o melhor partido daquilo que a empresa tem para lhes oferecer. Nesse leque, a tecnológica inclui a preocupação de assegurar oportunidades de progressão de carreira que permitam manter o melhor de cada perfil. «Muitas vezes perdemos bons técnicos para ganhar maus líderes e isso é algo a que as empresas devem estar atentas», sublinhou a responsável. 

A liderança pode ditar o sucesso ou o fracasso de uma estratégia de RH

O tema da liderança também teve espaço de destaque no painel, com todos os participantes a considerarem que os líderes são uma peça fundamental, numa gestão de recursos humanos que potencie a tão desejada retenção de talento. Concordou-se que também os líderes têm de ser preparados para gerir bem novos modelos de trabalho e expectativas de colaboradores, que são cada vez menos homogéneas. 

Para endereçar esta questão, Liliana Silva contou que a Milestone passou o último ano a apostar em força num programa de liderança, que incide sobre duas áreas fundamentais: gestão de tarefas e de tempo e comunicação. Também Ricardo Parreira assumiu que esta é uma preocupação da PHC, que responde com formação, preparando os seus líderes para promover a autonomia das equipas e deixarem de estar presos a temas de “micro-gestão”, como lhe chamou Ricardo Parreira, controlando quem faz o quê. 

Este papel de guia das lideranças pode tornar-se ainda mais relevante em empresas com colaboradores muito jovens e num ritmo de crescimento acelerado, reconheceu também Francisca Matos da Talkdesk. Na empresa portuguesa de software na cloud para contact centers, a média de idades ronda os 32 anos e ter managers capazes de guiar cada membro da equipa e estarem atentos ao que têm em redor tem-se revelado fundamental, admitiu a responsável. 

O que querem os colaboradores? 

No painel dos recursos humanos, como em toda a conferência, os vários intervenientes deixaram claro que, sendo a motivação um aspeto cada vez mais determinante para continuar a trabalhar numa empresa, cada organização tem de se empenhar verdadeiramente em perceber quais são os trigers dessa motivação na sua realidade interna. Concordou-se que nem sempre são óbvios (prémios monetários, seguro de saúde, etc) e que nem sempre são iguais para todos os colaboradores, mas há uma tónica comum. 

A flexibilidade é cada vez mais valorizada pelos colaboradores e cada vez mais necessária para os empregadores, que pela falta de recursos têm mesmo de apostar em novos modelos de trabalho. É o caso da brasileira Invillia hoje com 500 colaboradores, boa parte dos quais remotos, dentro e fora do Brasil, Portugal incluído.  

Renato Bolzan, CEO e fundador da empresa, explicou que foram as dificuldades de recrutamento – não pelo projeto mas pela localização física do talento e dos escritórios – que levaram a organização a apostar em força num modelo descentralizado. Hoje 30% da força de trabalho da empresa está em locais onde a Invillia não tem escritórios. O critério de seleção de colaboradores passou a centrar-se só no talento, com a tecnologia (plataformas colaborativas, aplicações de videoconferência para trabalhar e promover o networking entre colegas distantes, etc) a colmatar as distâncias. 

Novas técnicas para atrair talento

O responsável da Invillia fez um balanço positivo da aposta no modelo, sem esconder os desafios na gestão do processo e na disseminação de uma cultura de empresa “à distância”. A aposta na formação e no desenvolvimento de cada colaborador, com a preocupação de colocar cada recurso no melhor local da empresa para o seu perfil, tem sido a grande arma para a retenção, admitiu Renato Bolzan.

A aposta da Talkdesk para atrair e reter talento também passa por tentar ir ao encontro dos desejos e interesse do seu talento alvo e as técnicas multiplicam-se, porque o projeto está em crescimento acelerado. Francisca Matos contou que, entre quem já subiu a bordo, a flexibilidade, a possibilidade de resolver problemas complexos, de poder escolher as tecnologias com que se trabalha e de interagir com colegas mais velhos e experientes são fatores de motivação. Para motivar quem ainda não foi contratado, a empresa juntou aos métodos tradicionais um reforço das parcerias com universidades, um prémio de inovação e um programa para trazer de volta ao país portugueses no estrangeiro, com carreira nas TIC. Chama-se Move Back With Talkdesk.   

A conferência Falando TI já tem reedição garantida a 3 de dezembro de 2020. A iniciativa é organizada pela OUTMarketing e conta com o Ntech.news como media partner.  


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Negócios

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