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Porque falham os projetos de inovação?

Publicado em 12 Abril 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 206 Visualizações

Muitos projetos de inovação não chegam a ser concluídos. Nuns casos as empresas concluem que o melhor caminho para fazer evoluir o negócio é outro, noutros há falhas que tornam impossível alcançar o objetivo em tempo útil.

O Ntech.news ouviu opiniões de vários responsáveis de empresas TI, que ajudam a definir e a implementar projetos de inovação em centenas de empresas nacionais, à procura de respostas. Destacam-se duas: há falhas que nem devem ser consideradas como tal, há outras que se repetem e que, em muitos casos, podiam ser evitadas.   

Nestas situações a má alocação de recursos e de competências é muitas vezes o grande problema. «Um projeto até faz sentido mas a empresa pode não conseguir encontrar os recursos financeiros, humanos ou temporais para o concretizar», como nota Rogério Canhoto, chief business officer da PHC.

«Inovar por inovar, raramente corre bem. Para o sucesso de um projeto de inovação é essencial que exista uma estratégia e que o projeto esteja alinhado com essa estratégia», José Vilarinho, diretor geral da Opensoft.

«A falta de patrocínio da equipa de gestão ao projeto de inovação» contínua também, na opinião de José Vilarinho, a ser mais uma das grandes pedras no caminho deste tipo de projetos. «O facto de estarem desenquadrados dos objetivos de negócio da empresa», é para o diretor-geral da Opensoft outra das grandes fragilidades de muitos projetos de inovação. «Inovar por inovar, raramente corre bem. Para o sucesso de um projeto de inovação é essencial que exista uma estratégia e que o projeto esteja alinhado com essa estratégia», continua.

Recursos humanos são peça central

No que se refere aos recursos, humanos neste caso, não basta ter quem tenha tempo para dedicar ao projeto. As competências são o aspeto mais importante. «Um projeto de inovação deve ser executado por uma equipa com diferentes valências (operações, vendas, marketing, etc.) e nem sempre há recursos com as competências necessárias», acrescenta José Vilarinho.

Envolver os utilizadores, testa os projetos em ambientes controlados, com pilotos, e procurar manter a atualidade do projeto após o lançamento são os três conselhos de Carlos Cardoso, CEO da GSTEP.

Nesta matéria há ainda outro aspeto importante a considerar, que são as naturais barreiras à mudança. São normais em qualquer organização mas tendem a ser maiores quanto maior for a empresa, como nota Rui Reis, diretor executivo da Mindsource. A explicação para que assim seja está na tendência das organizações maiores para processos de decisão mais morosos e menos eficientes, consequentemente inimigos da agilidade e da inovação.

Não definir prioridades e um roadmap claro de implementação são também aspetos que contribuem para fazer falhar alguns projetos, admitem os os responsáveis. «Por muito boa que a ideia ou produto seja, se o processo de passagem do conceito à sua implementação não for bem conseguido, o produto está preparado para falhar», avisa Rui Reis. Alinhar prioridades, escolher que projetos avançam e que ideias ficam em stand-by e que papel terá cada departamento da empresa na concretização são aspetos relevantes para o sucesso e que dependem de «haver uma estratégia clara top-down», acrescenta o responsável.

Intuição vs informação : Qual é o melhor caminho?

«A inexistência de competências, pessoas dedicadas, sistemas de informação, interoperabilidade, metodologias, organização, modelos de governo e uma liderança patrocinadora são o grande obstáculo a qualquer tipo de inovação ou transformação», João Virott da Costa, managing partner da Bright Partners.

Quando este alinhamento é feito, há outro erro que ainda explica muitos insucessos, diz Rui Reis e que tem a ver com o mote do projeto e se está ou não verdadeiramente direcionado para necessidades do mercado. Conseguir analisar em detalhe a quantidade cada vez maior de dados que as empresas têm à disposição sobre o cliente, para poder avançar com base em factos e não em intuições, é a melhor forma de identificar estas necessidades e de trocar um caminho perigoso por uma rota mais segura.

O estudo Having a Successful Innovation Agenda apresentado pela Oracle no início do ano quantificou o impacto de alguns destes temas na realidade das mais de 5 mil empresas inquiridas, em 24 mercados. 21% elegeram a ausência de compromisso dos gestores como a principal barreira à inovação nas suas empresas e 22% juntaram à lista a falta de processos, a falta de visão e o baixo investimento em tecnologia. 22% dos inquiridos também destacam que os worflows ideais ainda não foram implementados.

Há mais dicas dos responsáveis que participaram neste trabalho nos artigos que completam este especial: Inovação: o caminho do sucesso tem falhas e mudanças de direção e O sucesso da inovação tem receitas que já foram escritas.


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