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Portugal Digital Week debateu desafios do sector e trouxe descontos online

Publicado em 26 Outubro 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 145 Visualizações

Esta sexta-feira encerra a Portugal Digital Week, uma iniciativa promovida anualmente pela ACEPI – Associação Economia Digital, que integra várias ações relacionadas com o comércio eletrónico. O Dia de Compras na Net, que este ano envolve 180 lojas online, fecha as atividades, com as lojas aderentes a proporem descontos exclusivos para assinalar a data e esta quinta-feira foram entregues os prémios ACEPI Navegantes XXI a vários projetos digitais.  

Outro dos pontos altos da semana foi a Portugal Digital Summit’18, uma conferência internacional que este ano teve como país convidado o Reino Unido, um dos mercados identificados como alvo de maior potencial para o comércio eletrónico nacional.

Numa pesquisa recente da associação e da IDC foram identificadas as 20 economias com maior potencial para aderir aos produtos portugueses, comercializados por via eletrónica. O Reino Unido é uma dos cinco mercados-alvo mais destacados, a par dos EUA, França, China e Espanha. As tipologias de produto com maior potencial de comercialização externa nestes moldes, identificava a mesma pesquisa são o vestuário, o calçado e acessórios, têxteis, mobiliário e decoração, produtos alimentares, entre outros.

Os resultados do estudo estiverem em análise e debate na Portugal Digital Summit’18, onde foram revelados mais dados sobre o comércio eletrónico em Portugal, apurados também pela IDC.  Dizem os números que três milhões e meio de portugueses já fazem compras online. A despesa com as compras online atingiu em 2017 os 4,6 mil milhões de euros, crescendo 11% relativamente ao ano anterior. Roupa, acessórios de moda, eletrónica móvel e acessórios são os produtos mais comprados online.  Já o comércio eletrónico entre empresas (B2B) representa hoje em Portugal um volume de negócios de 70 mil milhões de euros, número que traduz um crescimento de 11% relativamente a 2016.

Segundo o mesmo estudo, em 2025, 7,1 milhões de portugueses farão compras online, mas há um longo caminho a percorrer nesta área, sobretudo no que se refere à digitalização das empresas portuguesas, uma vez que 60% das organizações continuam sem uma presença online. Por explorar está igualmente a oportunidade do comércio eletrónico fora de portas. Entre as empresas portuguesas que vendem online, só 18% vendem para outros países.

O que falta às empresas portuguesas?

Nos dois dias em que decorreu a Portugal Digital Summit’18 a transformação das empresas e do clientes e das suas expectativas foram os grandes temas em destaque. As várias apresentações permitiram perceber que a transformação digital está acontecer nas empresas portuguesas, mas o ritmo e o foco nem sempre é o desejável.

No caso das PMEs, às limitações de recursos financeiros junta-se muitas vezes um conhecimento insuficiente das tecnologias disponíveis, ou daquelas que melhor se adaptam às suas necessidades, como destacou Sofia Tenreiro, diretora-geral da Cisco Portugal, no debate sobre como «Acelerar a Inovação Com Tecnologias Digitais Avançadas».

No caso das empresas maiores também há barreiras a ultrapassar, a estrutura ainda rígida e alguma aversão ao risco foram aspetos sublinhados por Cristina Fonseca, co-fundadora da Talkdesk noutro painel, sobre a importância dos «Aceleradores Tecnológicos para os Negócios». Agir rapidamente e aproveitar o momento da transformação para redesenhar processos e melhorar a eficiência é, na opinião da responsável, fundamental para competir. Sobretudo num cenário que hoje é global e onde estão cada vez mais concorrentes, com um mundo de ferramentas disponíveis para fazer o mesmo, de forma mais ágil, graças à democratização do acesso a tecnologias inovadoras.

A cooperação entre incumbentes e startups, defende a co-fundadora do terceiro unicórnio português, pode ser a chave, e uma solução inteligente para unir as redes de distribuição e as grandes bases de clientes que as startups não têm, à inovação e agilidade que as grandes empresas têm dificuldade em criar para áreas específicas, mas cruciais no sucesso.

Desafios para qualquer tamanho

A importância de integrar sistemas e eliminar barreiras à fluidez da informação, entre os vários departamentos das empresas, foi outro aspeto destacado em vários debates. No painel “Tecnologias de Marketing: Salto para o Futuro dos Negócios”, Sharen Murnaghan, head of partners program da Hubspot, falou dela para referir a importância de integrar os sistemas TI de apoio ao marketing e às vendas e garantiu que vendas concretizadas e taxas de retenção de clientes crescem mais de 35%, quando estas estratégias e ferramentas deixam de estar desalinhadas e passam a funcionar em sintonia.

Da transformação de processos internos ao reposicionamento de ofertas nos canais digitais, uma das conclusões mais transversais aos dois dias de debates foi a importância de levar hoje ao cliente não apenas um produto ou serviço, mas uma boa experiência de compra. Se as restrições éticas e formais, do novo Regulamento Geral da Proteção de Dados por exemplo, limitam de forma crescente a maneira como as empresas podem usar os dados dos utilizadores, por outro lado, os utilizadores querem cada vez mais serviços personalizados, alinhados com o que gostam de fazer e ver na internet.

Atender com sucesso a estes requisitos tem-se revelado difícil para empresas de todas as dimensões, admitiu Pedro Pina, vice-presidente para a área de global clients and agent solutions da Google, que admitiu existirem hoje muitas empresas a investir em marketing online sem grande rumo. O conselho que deixou é também a receita que a Google aplica aos clientes que a procuram neste domínio e passa por identificar um conjunto de áreas de aposta, onde o potencial para obter bons resultados é maior e concentrar energias aí.


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