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Quem é a Talkdesk, o novo unicórnio português?

Publicado em 8 Outubro 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 126 Visualizações

É a terceira tecnológica portuguesa a valer mais de mil milhões de dólares, depois da Farfetch e da Outsystems atingirem o mesmo patamar. A noticia foi divulgada nos primeiros dias de outubro e assinala mais um marco importante na vida da Talkdesk, fundada em 2011 por Cristina Fonseca e Tiago Paiva.

A valorização acima dos mil milhões de dólares foi conseguida depois da conclusão com sucesso da última ronda de financiamento. Através da operação, a empresa angariou investimentos de 100 milhões de dólares. A maior fatia foi aplicado pelo fundo Viking Global Investors, mas na ronda também participaram investidores atuais, como a DFJ (que na lista de projetos investidos tem nomes como o Skype), contribuindo para valorizar a Talkdesk em 1,2 mil milhões de dólares.

A startup portuguesa criou e vai continuar a desenvolver com o reforço de capital agora obtido, uma plataforma cloud para call centers, que por ser um serviço na nuvem pode ser montado em poucos minutos e dispensa toda a parafernália de equipamentos e software associada a uma solução tradicional. Na lista de clientes estão nomes como a Dropbox, a IBM ou a Pivotal.

 

A ideia…

A ideia surgiu em 2011, algum tempo depois de os dois fundadores terminarem a faculdade e terem optado por ingressar no mercado de trabalho como freelancers, para terem tempo de explorar ideias e encontrar a ideal para criarem o seu próprio negócio. Quando surgiu a ideia de criar a plataforma que resultou na Talkdesk inscreveram-se num concurso de empreendedorismo, que acabaram por vencer ganhando uma estadia de seis meses no acelerador 500 Startups, em São Francisco. Regressaram a Portugal já com um investimento de 450 mil dólares angariado.

A plataforma que centra o negócio começou por ser desenhada para atender às necessidades de pequenas e médias empresas. No ano passado a companhia lançou uma versão para grandes operações, com mais de 500 colaboradores, e passou a competir sem limitações num mercado avaliado em 40 mil milhões de dólares. O número e os atributos da solução ajudam, aliás, a explicar que a nova ronda de financiamento tenha atingido os 100 milhões de dólares, o maior valor de sempre levantado por uma empresa do sector numa operação deste tipo.

 

A tecnologia…

Como escreve a Bloomberg, combinar a aposta no cloud computing com tecnologias de machine learning tornam a proposta da Talkdesk muito apelativa para os investidores, numa altura em que as empresas apostam cada vez mais em migrar este tipo de infraestrutura para a nuvem. É um movimento que as ajuda a livrarem-se da complexidade associada à gestão do software em servidores internos, que também torna mais lento o acesso a atualizações e novas funcionalidades.

Por outro lado, a utilização de tecnologias de machine learning, que será aperfeiçoada graças à nova injeção de capital, otimiza a análise das interações dos clientes e afina o discurso de quem está a tentar resolver os problemas do outro lado da linha, maximizando a eficácia dos contactos e as taxas de satisfação.

Com a última operação de financiamento, a Talkdesk foi notícia em meios de referência de vários países, com destaque para os Estados Unidos, principal mercado da empresa, mas nos últimos anos projeto e gestores têm dado nas vistas em diversas ocasiões.

 

Os mentores…

No ano passado, a empresa garantiu um lugar no ranking da Forbes entre as 100 melhores empresas na área da cloud, ocupando a 79ª posição da tabela. Em 2016, os dois fundadores já tinham sido integrados pela mesma publicação na lista dos 30 sub-30 (30 Under 30) que mais se destacavam no mundo dos negócios a nível global.

No mesmo ano a revista norte-americana Entrepreneur colocou a startup noTop 10 das empresas mais empreendedoras da América, numa lista com 360. Já em 2018, em agosto, Tiago Paiva foi o único português a integrar a lista dos 50 melhores lideres empresariais de negócios SaaS, da SaaS Report.

A Talkdesk conta hoje com 400 colaboradores, mais de metade estão em Portugal e quer chegar a 2020 com mil. Soma mais de 1.400 clientes e 30 mil utilizadores em cerca de 50 países e tem escritórios em Lisboa, no Porto e em São Francisco, onde está a sede.

Cristina Fonseca, uma das fundadoras da startup, abandonou as funções executivas na companhia em 2016 para se dedicar a novos desafios. Tiago Paiva (na foto) mantém-se na liderança do negócio.


Publicado em:

Startups

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