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Rastrear a mobilidade no pós-quarentena de forma anónima: A HypeLabs diz que é possível já

Publicado em 17 Abril 2020 por Ntech.news- Luísa Dâmaso | 835 Visualizações

Rastrear os cidadãos de forma a conter a pandemia Covid-19 e a identificar, ainda que alegadamente, de forma anónima está a gerar muita controvérsia. Bruxelas já fez saber que as regras terão de ser comuns e definiu o limite de 31 de maio para os Estados-membro comunicarem as medidas que pretendem adoptar para garantir a proteção dos dados pessoais. Por cá, isto quer dizer que abriu a “caça” aos meios tecnológicos que podem ser desenvolvidos ou que já existem para permitir o levantamento da quarentena e a circulação de pessoas em segurança. Claro está que o principal desafio será encontrar uma solução que tenha em conta as questões prementes de recolha, transmissão, armazenamento e análise de dados, que serão necessárias salvaguardar para obter os padrões de mobilidade sem colocar em risco a confidencialidade e privacidade dos dados pessoais.

Há tecnologia portuguesa

A Apple e a Google já se uniram para encontrar a solução perfeita, mas em Portugal, há já trabalho feito na área das aplicações que permitem conectividade direta entre qualquer tipo de dispositivo – smartphone, tablet, laptop e desktop, dispositivos IoT, sem necessidade de ligação à Internet. A HypeLabs é uma startup portuguesa que trabalha nesta área de desenvolvimento e diz-se preparada para disponibilizar a sua solução a todos os países. Desenvolvida em conjunto com um grupo de voluntários do movimento tech4COVID, a CovidApp (CovidApp.org) é uma solução de marca branca, que permite a quarentena seletiva, e que comprovadamente impede a disseminação contínua do novo Coronavírus. O sistema está pronto para implantação imediata e será gratuito para todos os países que o pretendam utilizar.

A CovidApp já foi testada e implementada em alguns países da América Latina, como a Colômbia, o primeiro país a adotar o sistema que mostra o menor número de infetados da região e está a conseguir o “achatamento” da curva.

Como funciona a CovidApp?

 Na prática a CovidApp assenta num um sistema de rastreamento de contacto privado e anónimo que deteta proximidade física entre smartphones e trabalha em conjunto com hospitais e governos para informar os utilizadores – mesmo aqueles sem conexão à Internet – acerca da probabilidade de exposição ao COVID-19, caso estes se tenham cruzado com alguém que já contraiu o vírus.

A singularidade desta app de rastreamento está no uso de uma tecnologia de redes mesh (tecnologia patenteada da HypeLabs), que é interoperável (iOS >< Android) e que corre até em segundo plano ou mesmo se o smartphone estiver bloqueado. Este software utiliza números de identificação (IDs) aleatórios que não requerem qualquer base de dados ou informação privada de qualquer indivíduo.

A tecnologia chama-se HypeSDK  e pode ser integrada em qualquer app ou sistema que esteja a ser desenvolvido pelos Governos, ou parametrizada como aplicação completa em redes mesh.

 E a pivacidade?

Esta solução tem capacidade para fazer rastreamento de contacto de forma privada e anónima, inclusive em segundo plano. Os smartphones que tenham a app instalada poderão trocar sinais Bluetooth e Wi-Fi quando os dispositivos estiverem dentro do alcance um do outro, mesmo sem dados móveis ou Internet. Os registos desses “encontros” serão armazenados no dispositivo durante um período até 14 dias e, subsequentemente, enviados para um servidor central. Se alguém tiver testado positivo para COVID-19, outros que estiveram em contacto próximo com essa pessoa serão alertados para fazer o teste ou iniciar imediatamente uma quarentena preventiva. Os portais Web para funcionários de saúde e do governo permitem que funcionários autorizados distribuam informações aos utilizadores finais, desde anúncios importantes até recomendações de saúde para contenção do vírus. Apenas pessoal médico autorizado pode aceder ao portal e atualizar o estado de saúde dos cidadãos testados.

Segundo explicou ao Ntech.news, Carlos Lei, cofundador e CEO da HypeLabs, quando utilizadores da app estão em contacto, os dados desses “encontros” são recolhidos e armazenados, utilizando o ID exclusivo do dispositivo, que é gerado aleatoriamente, não havendo informações pessoais associadas a este. «Estes contactos são enviados para o servidor central das autoridades e apenas os IDs dos dispositivos são armazenados». Por fim, as autoridades de saúde usam os IDs dos dispositivos para assinalar se a pessoa foi infetada. «Esta dinâmica permite que todos os dados em todo o sistema sejam mantidos anónimos, não havendo dados pessoais vinculados, o que torna o sistema privado e útil no sentido de alertar as pessoas que estiveram em contacto com alguém infetado» refere ainda Carlos Lei. Caso alguém não queira ser rastreado, existe uma opção que permite desinstalar a app onde a tecnologia SDK está a correr.


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