Seguradoras têm de acelerar transformação digital
As seguradoras, à semelhança do que acontece em muitos outros setores tradicionais, enfrentam uma concorrência cada vez mais forte de empresas assentes em modelos e ofertas de negócio digitais. O estudo World InsurTech Report 2020 da Capgemini e da Efma -European Financial Management & Marketing Association concluiu que a pandemia agravou a situação e tornou ainda mais urgente mudanças de mentalidade e de estratégia. O sector já não enfrenta apenas a concorrência de outras companhias na mesma área. Também aqui, os gigantes tecnológicos marcam já presença e alargam cada vez mais ofertas.
«As BigTechs elevaram a fasquia no que diz respeito à experiência e à confiança do cliente durante a pandemia, com processos resistentes à crise, com respostas em tempo real e serviços intuitivos», sublinha o estudo
A pesquisa também revela que a abertura dos clientes para subscreverem seguros junto das BigTech passou de 17% em 2016, para 36% em janeiro de 2020, voltando a aumentar, para 44% em abril.
Para dar resposta a esta tendência crescente, sublinha-se que as empresas estão conscientes da necessidade de dar prioridade a temas como a experiência do clientes (94%), implementação de processos com capacidade de resistência a eventuais crises (90%), disponibilização de respostas em tempo real (87%), ser um parceiro cuidadoso (86%) e oferecer os seguros como uma utility (70%).
Adoção da cloud está atrasada
A pesquisa sublinha, no entanto, que as seguradoras tradicionais têm um longo caminho a percorrer na adoção e utilização das tecnologias que suportam e impulsionam estas prioridades. Destaca ainda que as parcerias têm um peso determinante neste caminho, algo que terá de passar cada vez mais por trocar estratégias centradas na propriedade dos dados, por políticas mais assentes num acesso partilhado aos dados e aos recursos.
«Apenas 19% das seguradoras inquiridas afirmaram possuir processos automáticos, só 29% têm métodos de desenvolvimento centrados nos seres humanos e sistemas prontos para o digital, apenas 38% implementaram APIs abertos e só 48% têm uma empresa cloud native», revela a nota de imprensa.
Como construir um novo caminho?
Superar estas lacunas passará por comprar tecnologia, ou desenvolvê-la em colaboração com outras empresas especialistas, tendo em conta quatro fatores principais, aconselha-se: tempo, investimento, autonomia e diferenciação.
A pesquisa revela, no entanto, que há uma disponibilidade e interesse crescente destas empresas nos temas digitais e alinha algumas conclusões: 67% das seguradoras está disponível para colaborar com as InsurTechs e mais de 60% das seguradoras e das InsurTechs mostram-se interessadas em colaborar com as BigTech.
O estudo da Capgemini baseia-se em dados fornecidos por 175 gestores de topo da área dos seguros em 26 mercados. Portugal não integra este grupo de países.
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