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«A Cisco sempre viu e continua a ver Portugal com um enorme potencial para o futuro»

Miguel Almeida, diretor geral da Cisco Portugal

Publicado em 19 Setembro 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 849 Visualizações

Miguel Almeida - Cisco

Miguel Almeida é o novo responsável pelos destinos da Cisco Portugal. Em entrevista ao Ntech.News explica as prioridades da liderança, que sucede à gestão de Sofia Tenreiro, e o posicionamento da Cisco no mercado português, numa altura em que a digitalização traz mais desafios a empresas Governos e cidadãos. 

O responsável assume o cargo meses depois de a Cisco confirmar o reforço da aposta em Portugal, para fixar centros de suporte às suas operações globais, com a criação de um Customer Experience Center no país. A primeira aposta deste género em Portugal foi feita pela Cisco em 1998, quando inaugurou um centro de operações e vendas para servir a região EMEAR, investimentos que nos próximos anos devem levar a empresa a contratar mais 200 pessoas no país.

Até lá, a multinacional pretende continuar a reforçar a aposta na diversidade – integra hoje trabalhadores de 34 nacionalidades – e promete manter o empenho em colaborar nos esforços para digitalizar o país e formar recursos em TI, nomeadamente nas suas tecnologias, através das Cisco Networking Academy.

Ntech.news: Com que prioridades estratégicas em pano de fundo, para a operação local da Cisco, dá início a este novo desafio profissional?
Miguel Almeida: Estou muito entusiasmado por poder liderar esta excelente equipa que é a Cisco Portugal e muito satisfeito com este novo desafio profissional – é uma oportunidade única de trabalhar em conjunto com os nossos clientes e parceiros para o futuro digital – um cenário com um crescimento cada vez maior no nosso país e com uma perspetiva muito promissora. A minha missão e responsabilidade é fazer da Cisco Portugal uma “Amazing Cisco” – Portugal grande na Cisco e a Cisco grande em Portugal. Para que isso seja possível, é necessário proporcionar toda a inovação que criamos aos nossos clientes e disponibilizar modelos de negócio rentáveis para os nossos parceiros, algo que está já em prática com o Country Digitization Aceleration, o programa da Cisco para acelerar a digitalização de Portugal. A esta prioridade une-se uma outra mais recente, a abertura do nosso Customer Experience (CX) Center, que pretende reforçar o compromisso da Cisco com Portugal, de forma a expandir as suas capacidades de apoio às empresas do EMEAR (Europa, Médio Oriente, África e Rússia) e reforçar o suporte para alcançar o potencial digital de Portugal. Pretendo, desta forma contribuir para a convergência destas duas operações e das nossas equipas, de forma a dar continuidade ao seu crescimento.

O meu projeto, é construir pontes neste sentido, que irão dessa forma ajudar os nossos clientes e parceiros a atingirem de forma mais célere e consistente os seus próprios objetivos, ao mesmo tempo que contribuímos para o desenvolvimento económico e social do país.

 A Cisco tem escolhido Portugal para fixar centros de suporte à operação. Até final do ano como vão evoluir estas estruturas…quantas pessoas terá o centro que anunciaram em março?

M.A.: A Cisco sempre investiu em Portugal desde há muitos anos e isso continua a ser uma prioridade do grupo, que agora sai mais reforçada perante o desenvolvimento digital que o país enfrenta e a capacidade empreendedora que apresenta. Desde o investimento no centro de operações de vendas para EMEAR em 1998 (ao qual se juntaram gradualmente outro conjunto grande de operações de suporte globais, desde recursos humanos a serviços, e, este ano, o nosso Customer Experience (CX) Center), a Cisco encontra-se num processo em que vai mais que duplicar o número de colaboradores. A evolução da força de trabalho depende sempre das necessidades do negócio, mas planeamos cerca de 200 postos de trabalho durante os próximos anos.


Quantas pessoas contam empregar em Portugal até final do ano neste tipo de funções? Quantas são estrangeiras?
M.A.:
A Cisco conta em Portugal com uma equipa muito diversa, que incorpora mais de 34 nacionalidades, e a aposta por recursos qualificados e promoção da diversidade seguirão como fortes apostas no futuro. A evolução da força de trabalho (incluindo detalhes como a percentagem de nacionalidades) depende muito das necessidades de negócio.

Estes são projetos de consumo intensivo de recursos humanos especializados, que muito se fala começam a escassear e a ficar mais caros, devido à procura crescente do país para fixar este género de operações. Qual a vossa estratégia para atrair talento?

M.A.: A estratégia de recursos humanos da Cisco, que nos tem permitido manter em lugares de topo na lista de Great Place to Work nos últimos dez anos consecutivos, baseia-se numa abordagem tripla que fomenta a gestão de talento, a flexibilidade e a diversidade. A Cisco facilita desta forma o desenvolvimento profissional da carreira dos seus colaboradores dentro da empresa, dota também os mesmos com ferramentas de colaboração que os ajudam no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e conta com uma diversidade crescente na empresa, com mais de 34 nacionalidades diferentes.

A inclusão deve ser real e estar sempre presente em qualquer tipo de empresa, grande ou pequena. A diversidade é o conjunto agrupado de quem somos como indivíduos. Juntas, a inclusão e a diversidade podem impulsionar inovação, colaboração, relações fortes com os clientes e potenciar a nossa capacidade de retirarmos o melhor de qualquer pessoa.


As academias Cisco no ensino superior continuam a ser uma das grandes apostas, que balanço fazem desta iniciativa e que resultados se obteve até à data?
M.A.:
A Cisco Networking Academy foi lançada em Portugal em 1999 e tem um balanço muito positivo tanto a nível global como no nosso território. Desde então, formou mais de 15,000 estudantes e queremos aumentar o número atual de estudantes de 3.000 para 7.000 já em 2020. A academia opera em 180 países através de 12.000 parcerias e 22.000 professores.

Em parceria com o Ministério da Educação estamos a avaliar a utilização do conteúdo das NetAcad no ensino secundário e, além disso, temos também como objetivo alcançar organizações e pessoas acima dos 45 anos.

As Academias Cisco no ensino superior continuam a ser uma grande aposta da Cisco. Embora estejamos a registar um crescimento em escolas secundárias e profissionais, o ensino superior continua a ser muito importante para o programa Cisco Networking Academy (NetAcad), tendo parcerias em praticamente todos os Institutos Politécnicos e diversas Universidades.

Historicamente o programa impactou mais de 26.000 estudantes, na grande maioria do ensino superior. No ano lectivo passado contámos com perto de 5.000 que passaram por um ou mais cursos NetAcad em mais de 50 Academias Cisco dispersas pelo país.


A transformação digital está no centro da agenda das empresas no mundo e em Portugal. Quais são, na sua opinião, os maiores desafios do momento para as empresas locais, nesta matéria, sobretudo nas áreas mais ligadas à atividade da Cisco?
M.A.:
Eu diria que a transformação digital não só está no centro como é neste contexto uma pedra basilar para o desenvolvimento das organizações dentro do seu contexto económico-social. As empresas necessitam constantemente de se modernizar, não só de forma a poderem prestar um bom serviço aos seus clientes, mas também para serem motivadores de mudança do seu público interno. A existência de uma estratégia digital, tornou-se imprescindível, tal como uma estratégia de gestão ou comercial. O digital obriga os gestores a olharem para o seu negócio de uma forma inovadora, levando a uma tomada de decisões mais célere e assertiva. Um dos grandes desafios do momento está na tomada de consciência da importância do digital e como esta transformação poderá ser aproveitada para alicerçar a tomada de decisão na transformação do negócio propriamente dito.

Em março do ano passado a Cisco anunciou um MdE com o Governo para acelerar a digitalização do país. O acordo é a dois anos, mas com o Governo em fim de mandato suponho que os maiores marcos já tenham sido alcançados. Em termos concretos, quais foram?

M.A.: O Memorando de Entendimento realizado entre a Cisco Portugal e o Governo Português para acelerar a digitalização do país teve como principal objetivo impactar positivamente o crescimento do PIB, educação, inovação e competitividade, bem como inclusão social e qualidade de vida.

Conseguimos alcançar e efetuar excelentes marcos, como a parceria entre a Cisco e a Startup Lisboa, que tem como principal objetivo acelerar o ecossistema empresarial português. A Cisco tem assim a oportunidade de participar em eventos para Startups e para o ecossistema empresarial, organizados pela Startup Lisboa, e estas entidades, por sua vez, têm à disposição a utilização das soluções do Cisco DevNet e os conteúdos das Academias da Cisco no sentido de desenvolver a formação das suas equipas e sua oferta de mercado.

Outro grande marco conquistado pela Cisco em Portugal foi a abertura do Cisco Customer Experience Center, que reforça o compromisso da Cisco com Portugal, de forma a expandir as suas capacidades de suporte para as empresas do EMEAR, com o objetivo de fortalecer o apoio para alcançar o potencial digital de Portugal.

A Cisco sempre viu e continua a ver Portugal com um enorme potencial para o futuro, tendo decidido incluí-lo num grupo restrito que faz parte do programa referido acima, o Country Digitization Acceleration (CDA), que visa ajudar a acelerar a transformação digital, com benefícios para as economias, o ambiente, para as sociedades e por último, mas não menos importante, para as pessoas.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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