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Agentic AI: Uma nova era da produtividade

Rui Miguel, Data & AI Area Leader na Unipartner

Publicado em 30 Janeiro 2026 | 7 Visualizações

Durante décadas, a Inteligência Artificial (IA) tem sido aplicada a tarefas como a identificação de imagens ou a previsão de padrões de consumo. Hoje, porém, vive-se uma mudança decisiva. A grande transformação está na IA Generativa, que permite interações em linguagem natural — e a Agentic AI é a expressão mais avançada dessa evolução.
A Agentic AI representa uma nova geração de sistemas inteligentes, capazes de simular capacidades humanas de raciocínio, de decisão e de execução. Vai muito além da IA tradicional, em que não se limita apenas a responder a perguntas, mas toma decisões simples, executa tarefas e colabora com humanos de forma autónoma ou semiautónoma. Alguns agentes são altamente especializados, podendo funcionar como copilotos para escrita, análise de dados, atendimento ou agendamento, enquanto outros conseguem assumir o papel de coordenadores, distribuindo tarefas entre diferentes agentes.
O grande salto qualitativo está na aplicação desta tecnologia em múltiplas áreas das organizações. Em vez de se limitar apenas a áreas técnicas, a Agentic AI pode ser integrada em vários departamentos, promovendo aumentos substanciais de produtividade, eficiência e velocidade de resposta.
A nível individual, automatiza tarefas como redação e revisão de e-mails, organização de informação ou resumo de documentos, libertando tempo para atividades mais criativas e estratégicas. Por outro lado, num contexto organizacional, acelera processos repetitivos, reduz a intervenção humana em operações de baixo valor e melhora a qualidade e rapidez das decisões.
A questão é inevitável: a Agentic AI vai eliminar postos de trabalho?
A resposta a esta pergunta é complexa. Algumas funções irão transformar-se, mas o potencial desta tecnologia reside em permitir que os colaboradores deixem de executar tarefas repetitivas e se concentrem em atividades de maior valor para o negócio. Com uma gestão de mudança adequada, esta transição pode ser não só positiva como também determinante para a competitividade das empresas.
A Agentic AI já está a ser utilizada em diversos setores para: responder automaticamente a questões genéricas de clientes; atualizar e validar dados em áreas como banca e seguros; permitir o acesso imediato a informação interna através de linguagem natural; acelerar a interpretação de documentos legais, técnicos ou regulatórios.
A eficácia dos agentes depende da qualidade, organização e fiabilidade dos dados que consomem. Sem uma base de informação sólida, o desempenho dos agentes degrada-se, assim como a confiança nas suas decisões.
A implementação da Agentic AI exige um planeamento cuidado, passando pela identificação de onde a tecnologia poderá gerar mais impacto, a priorização das áreas de maior valor, a definição de modelos de governação e controlo e pela implementação de iniciativas de pequena escala antes da expansão. O caminho mais eficaz é iniciar com projetos-piloto centrados na produtividade e evoluir progressivamente para casos mais complexos.
A Agentic AI é claramente uma nova disciplina de gestão organizacional que exige visão estratégica e ação contínua. Quanto mais cedo as empresas iniciarem esta jornada, maior será o impacto positivo para as organizações e para as pessoas que delas fazem parte.


Publicado em:

Opinião

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