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Aviões híbridos levantam voo em 2020

Publicado em 5 Dezembro 2017 por Ntech.news - Ana Rita Guerra | 363 Visualizações

Depois dos carros, são os aviões que entram na rota da inovação. A Siemens, a Airbus e a Rolls-Royce estão a trabalhar num projeto de propulsão híbrida elétrica para aviões comerciais, cujo primeiro voo de demonstração está previsto para 2020. O passo inicial da parceria é desenvolver este demonstrador de voo de curta duração, E-Fan X, suportado em tecnologia híbrida elétrica. Serão feitos múltiplos testes em solo usando a plataforma de teste de voo BAe 146, em que um dos quatro motores de turbina de combustível do avião será substituído por um motor elétrico de dois megawatts. A segunda turbina será substituída por um motor elétrico assim que a perfeição do sistema for comprovada.

«O E-Fan X é um passo importante no nosso objetivo de tornar o voo elétrico em realidade num futuro próximo», explica Paul Eremenko, diretor de tecnologia da Airbus. «As lições que aprendemos com um longo histórico de demonstradores de voo elétricos, começando com o Cri-Cri, incluindo o e-Genius, E-Star e culminando com o mais recente E-Fan 1.2, bem como os frutos da colaboração E-Aircraft Systems House com a Siemens, prepararam o caminho para um avião comercial híbrido e de corredor único que seja seguro, eficiente e económico», acrescenta. O executivo diz que a Airbus vê a propulsão híbrida como uma “tecnologia atraente” para o futuro da aviação.

O projeto endereça um dos principais desafios do sector de aviação, que é obter um meio de transporte com melhor desempenho ambiental, mais eficiente e menos dependente de combustíveis fósseis. A ideia é cumprir os objetivos ambientais técnicos Flightpath 2050 Vision for Aviation, da Comissão Europeia, que pedem uma redução de CO2 em 60%, redução de NOx em 90% e redução de ruído em 75%. São metas que não podem ser alcançadas com as tecnologias atuais, daí o investimento em propulsão elétrica

Este novo demonstrador, E-Fan X, vai explorar os desafios dos sistemas de propulsão de alta potência. Por exemplo, os efeitos térmicos, a altitude, a gestão do impulso elétrico e os efeitos dinâmicos nos sistemas elétricos, além dos problemas de compatibilidade eletromagnética. O programa também pretende estabelecer requisitos para a futura certificação de aviões com motores elétricos e treinar a nova geração de engenheiros, para acelerar o desenvolvimento dos aviões comerciais híbridos.

Como parte do programa E-Fan X, as três empresas vão contribuir com know-how específico. A Siemens vai fornecer os motores elétricos de dois megawatts e a unidade de controlo eletrónico de potência, além do inversor, conversor CC/CC e sistema de distribuição de alimentação. A empresa terá a colaboração da E-Aircraft Systems House, lançada em 2016, que visa o desenvolvimento de vários componentes do sistema de propulsão elétrica e a sua demonstração em terra usando várias classes de alimentação.

Por seu lado, a Airbus será responsável pela integração geral e pela arquitetura de controlo do sistema de propulsão híbrido elétrico e das baterias, e sua integração com os controlos de voo. Por fim, a Rolls-Royce será responsável pelo motor de turbo-eixo, gerador de dois megawatts e sistema eletrónico de alimentação. Paul Stein, diretor de tecnologia da Rolls-Royce, diz que estes avanços permitirão à empresa criar o gerador de voo mais poderoso do mundo.


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