Partilhe nas Redes Sociais

«Estamos a planear a criação de um centro de competências em Bangalore»

Miguel Leitmann, CEO da Vision-Box

Publicado em 4 Outubro 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 1600 Visualizações

A Vision-Box anunciou recentemente um novo contrato na Índia, que vai dar origem ao maior projeto de biometria do país, mas a empresa portuguesa tem em marcha outros projetos que são considerados uma referência mundial na utilização destas tecnologias. Amesterdão, na Holanda ou Sydney, na Austrália são outros dois exemplos.

O conceito que a empresa portuguesa está a espalhar por aeroportos em vários pontos do globo permitirá que um passageiro apenas olhe para uma câmara, para transitar do check-in até à porta de embarque. Sem paragens nem apresentação de documentos, a identificação é apenas facial.

A Vision-Box acredita que a biometria será a base de todos os processos de identificação no futuro: «seja para abrir a porta de casa, entrar no comboio ou no cinema, ou fazer uma compra», exemplifica Miguel Leitmann, CEO da empresa, numa conversa com o Ntech.News, onde também falou do plano de expansão da empresa e das inovações tecnológicas para suportar a estratégia, como a plataforma Orchestra.

 

Ntech.news: A Vision-Box anunciou recentemente um novo contrato na Índia. Pode revelar o valor do negócio e o impacto esperado nos vossos resultados no próximo ano?

Miguel Leitmann: A Vision-Box e a entidade que opera o Aeroporto Internacional de Kempegowda, Bengaluru no Sul da Índia – BIAL (Bangalore International Airport Limited) – assinaram no início do mês de Setembro um contrato para a implementação de tecnologia de gestão de passageiros baseada em biometria em todo o aeroporto.

O programa visa simplificar a jornada do passageiro utilizando reconhecimento facial desde o seu registo até ao seu embarque. O passageiro é identificado pela sua face enquanto se desloca ao longo do aeroporto, sem necessitar de apresentar repetidamente o seu cartão de embarque, passaporte ou qualquer outro documento de identificação.

É uma solução única no mundo pela dimensão, tecnologia e impacto que terá na simplificação da experiência de viagem, mas também na gestão de passageiros, tendo em conta que se trata de um dos aeroportos com maior aumento do volume de passageiros do mundo.

O que podemos avançar é que o contrato inclui 8 anos de desenvolvimento, implementação e manutenção, sendo que a primeira fase está já em curso. Prevê-se que as primeiras soluções instaladas venham a ser usadas por passageiros já no primeiro trimestre de 2019.

 

A empresa já tinha posicionado a Ásia como prioridade na estratégia de internacionalização este ano. Que mais estão a fazer na região para concretizar esse objetivo e que outros mercados estão a abordar com mais insistência?

M.L.:Juntamente com outras regiões, a Ásia tem vindo a constituir uma prioridade estratégica para a Vision-Box. Em particular na Índia, estamos a investir ativamente para acelerar a introdução de soluções de identidade digital baseada em biometria. Para tal, a Vision-Box abriu recentemente um escritório em Nova Delhi composto por membros da equipa da Vision-Box já com experiência e que alinharam num novo desafio no seio de uma outra cultura, bem como talentos locais.

Além disso, estamos a planear a criação de um centro de competências em Bangalore, o núcleo de TIC da Índia. Pretendemos que este venha, por um lado, a suportar o grande projeto de transformação do aeroporto internacional de Bangalore, mas, por outro, a tornar-se um centro nevrálgico de conhecimento e experiência em tecnologia de gestão de identidade e das melhores práticas no processamento de passageiros.

Planeamos tornar este centro de competências num ecossistema colaborativo que conte com a colaboração do governo indiano, aeroportos, companhias aéreas e outras entidades, na modernização do estilo de vida dos passageiros e dos cidadãos.

Para além da Índia, temos vindo a ter uma forte presença na Ásia Central (como são exemplos as nossas soluções no Cazaquistão e Turquemenistão) e a intensificar a nossa ação nos países circundantes, bem como na Turquia, Rússia, Singapura e restante Sudoeste Asiático.

O investimento na China, onde temos também escritórios, está também a dar frutos em termos de parcerias estratégicas e projetos piloto que prometem uma expansão imponente nos próximos anos. Brevemente traremos novidades…

 

Neste momento estão a contratar para várias posições. Este ano esperam terminar o ano com quantas novas contratações?

M.L.: O nosso crescimento é de facto muito significativo não só em Portugal, mas também noutras áreas geográficas em que estamos a intensificar a nossa atividade. A expansão sustentável da equipa é uma das linhas orientadoras do nosso processo de crescimento. Prevemos terminar o ano com 100 novas contratações em relação à contagem até final de 2017, ultrapassando a marca dos 400 colaboradores.

 

Que competências e áreas mais se destacam, entre o que procuram?

M.L.: Procuramos pessoas para as áreas de I&D, software, engenharia, eletrónica, serviços técnicos, apoio ao cliente, produção, vendas, entre outras. Em particular a área de Engenharia de Software será aquela em que mais intensivamente procuramos reforço.

 

A Vision-Box tem já uma dispersão geográfica interessante a nível global. Em termos de inovação e desenvolvimento o que é feito em Portugal e fora do país e que planos têm para o futuro a este nível?

M.L.: Sim, a Vision-Box tem soluções em operação em 150 países. É nossa estratégia expandir para ainda mais países, mas também dentro daqueles onde já temos presença. Nestes, pretendemos evoluir no potencial das soluções já instaladas, bem como no âmbito de atuação para novos domínios.

Estamos a criar incríveis ecossistemas de inovação e colaboração em países como a Holanda, a Austrália, os Estados Unidos da América e Índia, que envolvem governos, aeroportos, linhas aéreas, entre outras entidades. O objetivo é levar a cabo processos de modernização contínuos e escaláveis, em que a digitalização da identidade é um elemento estratégico de crescimento, permitindo a otimização de processos, aumento de segurança e a ampliação da capacidade de servir pessoas.

Por exemplo, projetos em curso nos aeroportos internacionais de Amesterdão, na Holanda, Bangalore, na Índia, e Sydney, na Austrália, serão referências mundiais absolutas na digitalização em aeroportos, em que todos os processos de identificação serão baseados em biometria. Entre outras inovações do programa, bastará olhar para uma câmara para transitar do check-in até à porta de embarque. A experiência de passagem pelo aeroporto será sem paragens, obstáculos e sem mostrar quaisquer documentos de viagem.

A biometria reconhecerá cada indivíduo pela sua face. Para além disso, queremos que a experiência dos aeroportos expanda para além das portas dos aeroportos e se funda com as emergentes Smart Cities, em que a biometria substituirá quaisquer elementos de identificação, sejam bilhetes para um jogo de futebol, chaves do quarto de hotel, cartões de fidelidade ou mesmo a chave de casa.

 

As soluções de controlo de passageiros e fronteiras tornaram-se num cartão de visita da empresa, graças a um conjunto de soluções já muito inovadoras mas a tecnologia não para… em que estão a trabalhar para as próximas atualizações dos vossos produtos?

M.L.: Estender o uso da biometria para além dos contextos onde esta é atualmente usada é a nossa visão. Mesmo no setor dos aeroportos, onde temos uma presença muito alargada, queremos criar ecossistemas totalmente renovados, confortáveis, ágeis e sem obstáculos para o passageiro e sem a necessidade de constantemente apresentar o documento de viagem. A biometria é o único identificador necessário para uma passagem no aeroporto.

Para tal, devolvemos uma plataforma de software robusta que permite a gestão de toda a experiência do passageiro, de forma partilhada entre aeroportos, linhas aéreas, autoridades de controlo fronteiriço, governos.

Esta plataforma pioneira no mundo (Orchestra) será o alicerce da grande revolução na identidade nos próximos anos. Flexível e escalável, tem a particularidade de ser a única no mundo desenhada e certificada de acordo com as definições da maior autoridade internacional em Privacy By Design, o centro de Excelência da Universidade de Ryerson no Canadá. Isto permite ao mundo da aviação (e não só) garantir máxima proteção aos seus utilizadores.

 

Os esforços de inovação nos próximos anos estarão direcionados para o aperfeiçoamento e evolução desta plataforma?

M.L.: A digitalização da identidade é uma tendência inevitável e vai muito rapidamente provocar uma agilização de serviços ao cidadão. Naturalmente que esta renovação de todo um padrão societal requer uma forte cultura de inovação, bem como muito conhecimento e experiência em diversos domínios tecnológicos.

Assim, estamos entusiasticamente a inovar em vários campos da nossa atividade: desde a contínua evolução e abrangência das nossas plataformas de software, o aperfeiçoamento dos nossos pontos de interação com utilizadores ao nível de ergonomia e interface, desenvolvimento de aplicações móveis, até à criação de novos modelos de interação baseados em Inteligência Artificial, Deep Learning Technologies e Neural Networks.

Um enorme sucesso a este nível são os nossos novos avatars 3D que reconhecem os utilizadores pelo nome e interagem virtualmente com eles por forma, por exemplo, a ajudá-los no seu percurso ao longo do aeroporto. Estamos também constantemente a evoluir no que diz respeito a modelos proprietários de Big Data, Blockchain, entre outras tecnologias que estão a alicerçar a revolução 4.0.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados