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Os desafios das tech portuguesas travam-se em vales, entre os gigantes e unicórnios

Sandra Lourenço, HR manager na IT People Innovation

Publicado em 23 Janeiro 2020 | 689 Visualizações

Atrair e reter talento é reconhecidamente um dos maiores, se não o maior, desafio das empresas. No entanto, no contexto tecnológico, a dificuldade deste desafio eleva-se exponencialmente. E porquê? Porque, tendo em conta a nossa globalização económica, as empresas estão todas em competição direta, impondo-se este setor com os seus reconhecidíssimos gigantes e unicórnios.

Isto traz-nos diretamente a um dos grandes desafios das tecnológicas portuguesas: corresponder às expectativas. Estas são muitas vezes elevadas pelas empresas do setor, que pela dimensão (gigantes) ou flexibilidade e novidade (unicórnios) oferecem condições que podem assumir contornos mirabolantes.

Acresce a isto, que a nossa força de trabalho é atualmente composta por trabalhadores de várias gerações com expectativas inevitavelmente muito diferentes. Conseguir construir equipas compostas por pessoas que façam um bom fit com os valores e cultura da empresa é uma das estratégias que se pode implementar para responder a este desafio. Mas está longe de ser a única.  

Para conseguir posicionamento lado a lado dos tais unicórnios e gigantes, as empresas tech portuguesas têm vindo a instituir um amplo leque de medidas que visa alargar os benefícios dos colaboradores, a flexibilidade com que despenham as suas funções e o equilíbrio que têm entre a sua vida pessoal e profissional.

As tecnológicas portuguesas procuram oferecer benefícios que sejam os mais valorizados pelos seus colaboradores, podendo tratar-se de um frigorifico cheio de cerveja (ou gelados!) sempre disponível ou seguro de saúde extensível a todo o agregado familiar. A nível de flexibilidade, vemos crescentemente o estabelecimento de práticas de teletrabalho ou home office, horários flexíveis e até iniciativas diferenciadoras como dias de assistência à família dados pela empresa especificamente para os animais de estimação.

As fórmulas que as empresas aplicam para promover o equilíbrio, e até, potenciar a felicidade dos seus colaboradores podem diferir vastamente, de acordo com a cultura de cada organização e as expectativas dos seus colaboradores. No entanto, este tipo de iniciativas está a proliferar a olhos vistos no contexto empresarial português, com as tecnológicas na liderança.

Mas existem ainda mais áreas em que se devem focar. É necessário integrar os colaboradores de forma a que tenham oportunidade de dar ideias e implementá-las. Isto é muito importante pois contribui para o seu sentido de realização pessoal e profissional assim como para o sentimento de pertença e compromisso com a empresa.  

Esta aposta é particularmente relevante para as tecnológicas, onde há uma enorme competitividade e não basta apenas apresentar projetos interessantes ou oportunidades com tecnologias inovadoras. É imprescindível envolver as pessoas e torná-las verdadeiros stakeholders do processo contínuo de desenvolvimento da empresa.

Há ainda dinâmicas conjunturais relevantes como o surgimento de Portugal como destino de nearshore tecnológico, trazendo oportunidades únicas às tech portuguesas, que podem agora oferecer projetos de dimensão e impacto internacional sem a necessidade de deslocação para fora. Para além daquilo que é óbvio e não menos importante, projetos deste nível permitem também competir noutra frente muito significativa, a salarial.

Com tudo isto, a conclusão a que se chega é que entre estes gigantes do setor tecnológico, com uma capacidade de investimento inigualável e os unicórnios, com uma flexibilidade invejável e o fator novelty, as tecnológicas portuguesas estão a esforçar-se por marcar a sua posição. E estar à altura do potencial do seu próprio talento assim como, genericamente, do pool de talento tecnológico existente em Portugal, não é um desafio fácil.

Mas sem dúvida um desafio que estão a enfrentar destemidamente, munindo-se cada vez mais de políticas que tornam a sua atuação crescentemente responsável e humana. Estas são as palavras que descrevem o futuro do trabalho.


Publicado em:

Opinião

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