Portugal acelera no radar tecnológico europeu
Portugal está a evoluir para um patamar tecnológico mais ambicioso, impulsionado por políticas públicas consistentes, investimento estratégico e uma crescente maturidade digital das empresas. O novo relatório Innovation Telescope – Zoom Portugal, apresentado recentemente pela Minsait (empresa do grupo Indra), confirma a tendência: o ecossistema tecnológico nacional está a consolidar-se e a ganhar projeção no contexto europeu.
De acordo com o estudo, elaborado com base em dados do Observatório de Inovação do INCoDe.2030, do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e da Agência para a Modernização Administrativa (AMA), a aceleração digital portuguesa resulta da conjugação entre o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a Estratégia Digital Nacional (EDN). Este duplo impulso está a transformar o país num terreno fértil para a adoção de tecnologias emergentes, da inteligência artificial (IA) à computação quântica, passando pela cibersegurança inteligente e pela computação híbrida.
«O país tem mostrado uma capacidade crescente de integrar novas tecnologias com visão estratégica e foco na sustentabilidade, reforçando a cooperação entre empresas, universidades e entidades públicas», constata Pedro Moura, Manager na Área de Estratégia e Inovação da Minsait em Portugal (Indra Group).
Computação quântica é o próximo salto
Entre as tendências destacadas, a computação quântica surge como uma das áreas com maior potencial disruptivo. O relatório sublinha a capacidade destas tecnologias para resolver problemas de elevada complexidade, muito além das possibilidades da computação clássica, e o impacto que poderão ter em setores como as finanças, energia, ciências da vida e mobilidade.
Globalmente, o mercado das tecnologias quânticas poderá alcançar os 97 mil milhões de dólares até 2035, com a computação quântica a representar 72 mil milhões desse total. Em Portugal, as colaborações entre universidades, centros de investigação e entidades públicas reforçam o papel do país em iniciativas europeias como o EuroQCI (European Quantum Communication Infrastructure), consolidando o seu posicionamento como ator ativo na corrida à soberania tecnológica.
O tripé da transformação
A inteligência artificial, a cibersegurança e a computação híbrida formam o núcleo do novo ciclo tecnológico português. A robótica multifuncional é apontada como uma das áreas com maior crescimento: 30% das grandes empresas industriais nacionais deverão adotar robôs colaborativos até 2027, potenciando a interação segura entre humanos e máquinas em fábricas, hospitais e serviços públicos.
A cibersegurança inteligente ganha relevo no contexto da Estratégia Nacional de Cibersegurança 2024-2030, com o reforço de modelos zero trust e o uso de IA para deteção preditiva de ameaças. Paralelamente, 42% das empresas portuguesas planeiam migrar cargas críticas para clouds privadas até 2026, num movimento que alia segurança, eficiência e controlo de custos.
Sustentabilidade e confiança digital em ascensão
A sustentabilidade tecnológica afirma-se como pilar estratégico da inovação. O relatório indica que 60% dos líderes de TI em Portugal já consideram as práticas ESG uma prioridade, impulsionando investimentos em eficiência energética, economia circular e rastreabilidade digital.
«As medidas que possam ser implementadas neste domínio devem deixar de ser encaradas como um custo adicional para as empresas, e passar a serem vistas como um investimento (…), pois maioritariamente geram poupanças em termos do consumo de energia e de água, acumulando ainda com benefícios na imagem corporativa», acrescenta Pedro Moura.
O estudo destaca ainda o crescimento das soluções que combinam IA e blockchain para combater a desinformação e verificar identidades digitais, ferramentas que estão a transformar áreas críticas como a saúde, energia e administração pública.
Humanos e tecnologia lado a lado
Com o trabalho híbrido já enraizado, 74% dos líderes portugueses acreditam que a adoção de tecnologias de IA, Realidade Aumentada e plataformas colaborativas poderá aumentar a produtividade em até 30%. Surge assim o conceito de Augmented Connected Workforce, em que a tecnologia amplifica as capacidades humanas e redefine o futuro do trabalho, promovendo equipas mais conectadas e inteligentes.
Apesar dos desafios relacionados com talento especializado e escala de investimento, o relatório mostra que Portugal está a consolidar a sua maturidade tecnológica e a confiança digital nos vários setores da economia.
«O que a informação compilada neste relatório demonstra é que Portugal tem a capacidade para transformar o seu potencial digital em resultados concretos com impacto ambiental, económico e social», destaca Pedro Moura.
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