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«Portugal tem excelentes oportunidades de negócio»

Publicado em 29 Agosto 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 359 Visualizações

Jorge Bento - Docbyte

A Docbyte acaba de entrar no mercado português. A empresa escolheu Oeiras para sediar a operação ibérica, que está a ser liderada por Jorge Bento. O diretor regional falou com o Ntech.news para explicar a razão do investimento, da escolha do país para coordenar as operações ibéricas e a estratégia.

Para a companhia belga, Portugal é neste momento um país com excelentes oportunidades de negócio, nas suas áreas de atuação, onde se destaca a grande apetência das empresas pela inovação tecnológica. Esta tendência é identificada por Jorge Bento nas áreas financeira e seguradora, logística, telecomunicações, entre outras.

O target da Docbyte são grandes empresas, já com alguma maturidade no processo de transformação digital, à procura de um parceiro para apoiar a transformação e digitalização dos seus processos.

Ntech.news – A Docbyte acaba de abrir um novo escritório em Portugal. Porque decidiram avançar com este investimento neste momento?

Jorge Bento – A Docbyte tem vindo a trabalhar na área da transformação digital nas empresas desde 2006, principalmente no seu país de origem, a Bélgica. Nos últimos anos iniciou um processo de internacionalização, tendo conquistado clientes em países como o Luxemburgo, a Alemanha, a Holanda, a Itália, a Turquia, os países nórdicos, entre outros. Neste contexto, a expansão para os mercados de Portugal e Espanha é uma evolução natural da nossa opção estratégica. O atual momento positivo da economia de ambos os países reforçou a decisão de que este seria o momento certo.

Portugal é a sede das operações para a península. O que nos deu vantagem, em relação a Espanha, nesta definição geográfica?

J.B. – Portugal tem-se vindo a destacar no mercado tecnológico internacional pelas suas excelentes condições, propícias ao desenvolvimento e investigação tecnológica. Sabemos que há um grande investimento do país em desenvolver competências ao nível dos recursos humanos qualificados e os técnicos formados nas universidades portuguesas são considerados como sendo dos melhores. O acesso a um potencial de pessoas com formação avançada, num ambiente propício ao seu desenvolvimento intelectual e pessoal, combinado com as restantes características que o país tem para oferecer, designadamente em termos de infraestruturas, qualidade do nível de vida e abertura ao investimento externo, foram determinantes na nossa escolha.

Como é que o grupo vê o mercado português, no que se refere às principais oportunidades a explorar e eventuais riscos?

J.B. – No que respeita às nossas principais áreas de atuação, pensamos que existem excelentes oportunidades de negócio porque as empresas portuguesas, nas áreas financeira e seguradora, logística, telecomunicações, entre outras, demonstram grande apetência pela inovação tecnológica como elemento diferenciador face à concorrência. Por outro lado, a pressão para fazer crescer as margens financeiras reduzindo custos operacionais e aumentando a agilidade de processos é um fator que poderá influir positivamente na escolha das nossas soluções e serviços. Existem, como é óbvio, riscos que não se podem, nem se devem, descurar, como sejam a concentração nos mercados financeiros e segurador, ou a aquisição de importantes empresas nacionais por grandes grupos estrangeiros, que trarão as suas soluções ou que poderão atrasar planos de desenvolvimento em curso. Não obstante, acreditamos que ainda assim existem, nesses cenários, oportunidades para algumas das nossas soluções mais focadas em consolidação, migração de conteúdos, reforma de aplicações e arquivo digital.

Em termos comparativos, com o resto da Europa, a nova estratégia para a península ibérica terá em conta algum tipo de particularidade das nossas empresas?

J.B. – As empresas portuguesas em Portugal e Espanha estão, em regra geral, alinhadas no ponto de vista do seu estádio de desenvolvimento com as suas congéneres europeias. Nós trabalhamos com empresas que já se encontram num certo estado de maturidade no que à transformação digital diz respeito, ou seja, intervimos na transformação dos processos de negócio. Isso significa que não nos focamos em empresas que começam agora a “digitalizar”, criando uma presença digital na internet ou que começam a desmaterializar o papel, substituindo-o pelo seu equivalente digital. Os nossos clientes estão a redesenhar os seus processos de negócio por forma a que os próprios processos sejam digitais, e não simplesmente a substituir o papel por imagens.

Num estudo recente da AIIM as empresas que estão neste estado de maturidade têm as suas prioridades bem definidas, que passam por digitalizar os processos de negócio “core”, modernizar o seu toolkit de TI, automatizar a conformidade com normas e regulamentos e a governança da informação e tirar partido das ferramentas de análise e de inteligência artificial e machine learning. É aqui que as empresas mais tenderão a investir nos próximos anos e é aqui que a Docbyte se posiciona.

A médio prazo, quais são os grandes objetivos para a operação em Portugal?

J.B – Pretendemos ser um player importante no panorama nacional, e ibérico, no que se refere à nossa área de atuação. A nossa carteira de clientes é 100% referenciável e sentimos que contribuímos, de facto, para o crescimento e progresso dos clientes. Este posicionamento como parceiro num caminho que é longo e em constante evolução, como é o da transformação digital dos processos, é um posicionamento que traz dividendos no médio/longo prazo. Quando começamos a trabalhar com os nossos clientes é tomada uma decisão por parte destes que é confiar na Docbyte como um parceiro para os acompanhar num work in progress, de constante evolução tecnológica e de desafios complexos, mas também de antecipação de tendências e de procurar servir, cada vez melhor, o cliente final, que é o cliente dos nossos clientes. Isto significa construir uma reputação que vai além das soluções tecnológicas que disponibilizamos. O que pretendemos é que os nossos clientes não hesitem na escolha pela Docbyte e consequentemente das soluções que a mesma pode disponibilizar, sempre que se deparem com oportunidades de inovação dos seus serviços, aperfeiçoamento dos seus processos, e de oferecer uma experiência de excelência aos seus próprios clientes.

Em termos de clientes qual é o ponto de partida, a empresa já tem clientes em Portugal? Qual o peso/quota nos mercados onde intervém?

J.B. – Neste momento, e atenta a recente implementação em Portugal, a Docbyte ainda não tem uma carteira de clientes em Portugal. Não obstante, temos alguns clientes internacionais que operam em Portugal e, naturalmente, iremos procurar construir com as subsidiárias portuguesas o mesmo nível de relacionamento e satisfação que já existe nos outros países. Em relação à segunda questão, a Docbyte tem objetivos bem definidos, mas neste momento o nosso foco está em consolidar as nossas primeiras referências. O caminho faz-se caminhando.

A vossa oferta é composta por vários serviços, direcionados a diferentes indústrias. Nesta fase vão apostar em todos os mercados e em todos os serviços, ou definiram objetivos estratégicos mais concretos? Se sim, quais?

J.B. – Temos objetivos estratégicos bem concretos, os quais passam por capitalizar a nossa experiência internacional nos mercados bancário, segurador e de ciências da vida. Mas vamos ficar, naturalmente, muito atentos ao que se passa nos restantes mercados.

Quantas pessoas têm no escritório em Portugal? Têm planos para ir aumentando a equipa este ano?

J.B. – Começámos com uma equipa reduzida, como é natural, mas pretendemos crescer a curto prazo. Há fatores, que advêm da estratégia global do grupo, que poderão fazer com que o número de colaboradores em Portugal aumente significativamente.

Em 2018, e tendo em conta que já estamos no final do segundo semestre, não se prevê que a equipa exceda uma dezena de pessoas, mas é nossa expetativa que 2019 e 2020 possam ser preponderantes para um aumento significativo do número de colaboradores. Mas como referi, o crescimento da equipa dependerá não só do nosso sucesso no mercado nacional, fruto do nosso trabalho com as empresas nacionais, mas também do que irá acontecer ao nível do grupo e de opções estratégicas que serão tomadas ainda este ano e em 2019.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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