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Primavera: um quarto de século de olhos postos no futuro

José Dionísio, cofundador e co-CEO da Primavera

Publicado em 31 Dezembro 2018 por Claudia Sargento - Ntech.news | 827 Visualizações

Nasceu há 25 anos, mas todos os dias se tem vindo a renovar, fruto de “viver” num mercado que exige maior dinamismo do que o habitual. A Primavera foi criada em 1993, numa altura em que o DOS dava lugar ao Windows e se tornava necessário apresentar soluções de software de gestão para as empresas baseadas neste “novo” sistema operativo. Um “passo arriscado” naquela altura admitiu, em conversa com o Ntech.news, José Dionísio, cofundador e co-CEO da Primavera, juntamente com Jorge Batista.

Neste quarto de século, a empresa tem vindo a adaptar-se aos desafios do mercado, assegurando crescimentos contínuos e internacionalizando o seu negócio. Angola é o segundo mercado mais importante da Primavera que olha ainda para outros PALOP ou para Espanha.

Em termos tecnológicos, o grande desafio chama-se cloud e o desenvolvimento neste campo há muito que decorre por entre as quatro paredes de uma Primavera que se prepara para comemorar, pelo menos, mais 25 anos. Para já, José Dionísio perspetiva apenas os próximos cinco.

Ntech.news – Comemoram este ano um quarto de século. Qual o balanço que deixa?

José Dionísio: Decorridos 25 anos em que eu e o Jorge Batista estamos à frente de um projeto que nasceu de uma oportunidade criada pela tecnologia, e que foi o aparecimento do sistema operativo Windows, e a possibilidade de sermos os primeiros a apresentar soluções de software de gestão para as empresas desenvolvidas para Windows, o balanço é muito positivo. Na altura, obviamente que não imaginávamos que nascesse um projeto que viesse a ter o sucesso e a dimensão que alcançou a Primavera ao longo dos tempos.

Acreditávamos que teríamos algum sucesso, senão não teríamos arrancado com o projeto, mas as coisas depois aconteceram de uma forma que superou todas as nossas expectativas ao longo do tempo.

Como nasceu o projeto Primavera?

J.D.: Foi um projeto que nasceu baseado em premissas de inovação permanente, de uma vontade constante de surpreender os nossos parceiros e os nossos colegas, os nossos clientes finais e todos os stakeholders que rodeiam a Primavera. Talvez por isso, tenha sido possível, de alguma maneira, mantermo-nos ao longo de tantos e tantos anos. E 25 anos no setor das tecnologias são mesmo muitos anos, chegando a poder representar muito mais anos do que em setores mais tradicionais. Por isso digo que o saldo desta “meia-vida” profissional é bastante positivo.

O segredo do sucesso está na conjugação de uma série de fatores?

J.D.: Sim. Estivemos sempre rodeados de uma grande equipa e é a ela que se deve, em grande parte, o sucesso da Primavera. Porque nós fomos importantes estando já dentro do projeto, mas não há ninguém que, por melhores ideias que tenha, consiga levar a cabo o projeto com sucesso se depois não tiver uma equipa que tenha um espírito comum, que seja criativa, e que abrace os processos de mudança que, ao longo do tempo, tiveram que ser feitos. Recorde-se que nós estamos em permanente mudança porque o mundo das tecnologias é mesmo assim, e importa ter uma equipa que incorpora isso mesmo. Portanto, o saldo é muito positivo, o que se traduz numa imensa responsabilidade junto de dezenas de milhares de empresas nossas clientes.

Quais os marcos que destacaria ao longo destes 25 anos?

J.D.: Eu acho que os grandes momentos estão relacionados com a disrupção da tecnologia, quando nós conseguimos interpretar de uma maneira disruptiva a tecnologia como foi o caso do momento do nascimento; ninguém sabia se era possível trabalhar com software para Windows ou com o rato e nós tivemos que provar que sim, arriscámos, e provámos isso a um mercado que deixou de usar DOS e passou a usar o Windows, em todo o mundo, mas desde logo em Portugal.

Depois, outro momento importante foi por volta de 2004, quando reestruturámos todo o nosso software e o abrimos a outras entidades que quisessem integrar as suas soluções com as nossas; isto representou um investimento imenso, mas que resultou muito bem. Hoje em dia, a Primavera é o que é porque soube entender, no momento certo, que as nossas soluções tinham que permitir aos nossos parceiros a prestação de serviços sobre elas e a adequação às necessidades das empresas clientes. Isso foi quase um outro renascer do produto Primavera.

Já do ponto de vista da tecnologia, deixe-me dar um salto para os últimos dois anos em que estamos novamente a fazer tudo do zero e, eu diria, a reviver 1993 novamente, já que temos de fazer as mesmas soluções, mas para ambiente cloud. Isto abre novas oportunidades às próprias soluções e áquilo que as pessoas podem depois esperar delas, mas estamos a ter que refazer tudo do zero com uma única diferença: temos muito mais conhecimento do que aquele que tínhamos em 1993.

Estão de alguma forma a reinventar-se também?

J.D.: Completamente. E, por isso, os modelos de negócio são outros, a forma de comprar por parte dos clientes é completamente distinta e compram-se as coisas de forma mais exigente; pede-se muito mais àqueles que fabricam software e que guardam a sua informação e por isso isto é também aquilo que nos dá ânimo para continuar e não estarmos num projeto que teria alguma monotonia se este momento não acontecesse.

Mercado impõe novos desafios a ultrapassar

 

Quais os novos desafios que a Primavera tem pela frente hoje em dia?

J.D.: Temos, por um lado, que desenvolver uma oferta inovadora de um ERP preparado quer para as microempresas quer para as grandes empresas; depois temos de o fazer em time-to-market porque já não dispomos de 25 anos para o fazer. Por outro lado, temos de saber interpretar a maneira de vender de acordo com as regras mais atuais, o que muda muita coisa quer do ponto de vista da relação com o nosso canal – e temos feito questão, neste particular, de continuar a encontrar todos as saídas e todas as soluções para que continuemos a trabalhar com um canal de parceiros que para nós é essencial –, que continua a ter de vender um ERP e ajudar a implementar nas organizações. Ao mesmo tempo temos de aprender a viver com uma série de dúvidas e de fobias que, como já aconteceu em outros tempos, também tivemos de vencer e, atualmente, estamos a vencer também.

Por tudo o que me disse, a Primavera de hoje é muito diferente daquela que nasceu em 1993?

J.D.: Seguramente que sim, mas continuamos a obedecer aos mesmos princípios que alavancaram o nascimento da empresa. Essa é uma das virtudes que podemos destacar (porque não há só virtudes em termos a mesma gestão durante 25 anos). A verdade é que nós quisemos, desde sempre, fazer software com inovação, diferenciador e comercializado através de uma rede de parceiros no modelo indireto que está a ser agora adaptado de modo a que a própria Primavera possa estar, cada vez mais, ao lado do parceiro a ajudar a fechar negócios e a implementar. Isso é fruto da subida na pirâmide de mercado que temos vindo a fazer desde há 25 anos a esta parte e não tanto porque estamos a falar de soluções em cloud ou soluções on premise.

Em termos de negócio, como tem evoluído nos últimos tempos e como se posicionam atualmente no mercado?

J.D.: Nós tivemos um ano de 2017 bastante positivo com crescimento acima do dos nossos concorrentes e próximo dos 10%; 2018 penso que será também muito positivo, mas ainda não tenho número finais; ainda assim, vamos ter um crescimento assinalável.

Palop e Espanha são pontos fortes de negócio

 

Como dividem o Vosso negócio?

J.D.: Cerca de 70% é feito em Portugal, mas os restantes 30% são feitos em outros mercados nomeadamente nos Palop e em Espanha. Em África as coisas têm estado um pouco mais mornas por força da situação que se vive na economia moçambicana, de todo o problema e da grande crise económica que se vive também em Angola, mas a Primavera mantém as suas operações lá, e em especial em Angola que é o nosso segundo maior mercado. Portanto, estamos preparados para, a qualquer momento, começar a caminhar novamente sobre aquele mercado no sentido de ter um grande crescimento.

Depois temos outras ofertas que estão a ser comercializadas a nível mais internacional e que são oferta já cloud native como seja o Omnia e o nosso produto para as microempresas, o Jasmin, que está a fazer o seu caminho agora em Espanha.

Portugal representa 70% do negócio. É um mercado muito ativo nesta área?

J.D.: De uma forma muito positiva neste momento nós estamos a assistir a uma mudança de paradigma; há uma aceitação gradual de soluções baseadas em infraestruturas cloud e sentimos que as empresas de todas as dimensões vão aceitando soluções cloud. E, se ao nível das nossas taxas de crescimento, isso ainda significa uma percentagem pequena sobre o total, na ordem dos 10%, a verdade é que nos últimos dois anos cresceu consideravelmente. Isto quer dizer que estamos em grande crescimento no que diz respeito à adoção de soluções na nuvem.

Essa será uma das linhas de força, em termos estratégicos, da Primavera no curto prazo?

J.D.: Sim, nós já temos resposta para os micronegócios com soluções de faturação, da área administrativa, gestão de stocks, contas correntes, etc, e para empresas que regra geral têm o processamento de salários no escritório de contabilidade. Em 2019 vamos lançar um ERP para a cloud, pensado para empresas de maior dimensão.

Sendo assim, o que podemos esperar da Primavera nos próximos 25 anos?
J.D.:– Espero que a gente possa falar daqui a 25 anos mas penso que, nesta indústria, é mais razoável falarmos num prazo de cinco anos. E aquilo que eu sinto, e acho que vai acontecer, é que a Primavera vai continuar a crescer a ritmos, espero eu, acima dos nossos concorrentes diretos; espero também ver uma empresa daqui a cinco anos mais internacionalizada; espero que a empresa esteja a faturar 50 milhões e não os 22 ou 23 que fatura agora e espero que, nessa altura, sejamos perto de 500 pessoas. Não espero nada mais do que isso porque, tudo mais que possa acontecer, também acontece porque as oportunidades aparecem pela frente e nós aproveitamos.

De qualquer forma, acredito que a Primavera vai continuar a ser uma empresa que já apresenta 25 anos consecutivos de crescimento – só não cresceu num ano – e espero que nos próximos cinco anos também continue a crescer. Na realidade, não há razões nenhumas para ser diferente.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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