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Transformação Digital não é isenta de desafios

Publicado em 1 Fevereiro 2018 por Claudia Sargento | 352 Visualizações

Tornar-se uma empresa verdadeiramente digital implica ser muito mais reativo, ágil e abraçar o fracasso rapidamente. Estes e outros desafios são apontados por David Roswell, head of Strategy, Business and Application Services na Fujitsu EMEIA que, em entrevista ao Ntech.news, sublinhou ainda o importante desenvolvimento de vários países europeus nesta área e explicou de que forma a Fujitsu pode ajudar os seus clientes a garantirem a mudança para o digital.

David Roswell lembra o importante papel dos parceiros neste campo e aponta a cloud, a inteligência artificial e o IoT como três dos mais importantes pilares da transformação digital.

Ntech.news – Como vê a transformação digital e quais os seus maiores desafios para as empresas?

David Roswell – A transformação digital está intimamente relacionada com a co-criação com os clientes e parceiros para alcançar resultados e soluções de negócio ponta-a-ponta; para o cliente e para o cliente do cliente. Mas não é isenta de desafios.

Recentemente, entrevistámos 1.600 decisores empresariais de todo o mundo e as conclusões encaixam nas áreas de pessoas, ações, colaboração e tecnologia. Um dos principais desafios é o défice de competências – quase todas as organizações estão a investir para tentar melhorar essas competências.

Também há um desafio em torno da cultura digital. O digital tem tanto a ver com o modo de trabalho como com a tecnologia. Penso que algumas organizações podem ter um processo muito rígido em termos de apresentação de novas soluções e sistemas. Elas podem ter muitas camadas de gestão que precisam de concordar com a solução. Quando se passa verdadeiramente para o digital, é necessário ser muito reativo, muito ágil e abraçar o fracasso rápido ou, pelo menos, a prova rápida.

De uma maneira geral, as empresas estão a evoluir nesse sentido e a adotar as novas ofertas tecnológicas?

Independentemente do sector, todas as empresas estão a abraçar a transformação digital, mas estão em fases de maturação distintas. Os sectores de Media, Retalho e Serviços Financeiros têm liderado, seguidas de perto pelo Sector Público e pelos Transportes. Também há uma variação no foco da transformação digital com a primeira vaga de pioneiros digitais a focar-se na interface com o cliente (ex: aplicação mobile), mas sem adotar necessariamente uma abordagem ponta-a-ponta à digitalização. Além disso, é frequente serem as empresas mais pequenas as mais disruptivas e as que criam novos modelos de negócio (ex: AirBnB).

Quais as principais diferenças que apontaria entre a evolução da transformação digital nos EUA e na Europa? O velho continente está a perder esta “corrida”?

Todos pensam que os EUA estão bem à frente na transformação digital e esta ideia é provavelmente alimentada por todas as inovadoras start-ups que saem de Silicon Valley e com o facto de que os grandes nomes do digital (ex: Apple, Amazon) terem a sua sede nos Estados Unidos. No entanto, não devemos esquecer que alguns países europeus já abraçam a transformação digital há vários anos e em algumas áreas podem estar à frente dos EUA – por exemplo, os nórdicos (e a Finlândia em particular), que já têm há vários anos soluções digitais para fazer funcionar as suas organizações governamentais e de transportes, e também são sociedades bastante cashless que utilizam alternativas digitais.  Vemos igualmente o surgimento de hubs tecnológicos por toda a Europa para rivalizar com Silicon Valley, e eu tenho um bom exemplo perto de mim, que é a “silicon roundabout” em Londres.

Qual pode ser o papel das empresas europeias em meio à transformação digital?

As empresas europeias têm um papel essencial na transformação digital. Elas têm maiores probabilidades de entender as nuances do seu mercado local e podem envolver-se com os clientes “no terreno”. Já disse anteriormente que as pessoas são um especto absolutamente vital para a transformação digital e ter equipas co-localizadas pode ser a forma mais eficaz de trabalho. Além disso, há tecnologia e soluções excelentes oriundas da Europa, a única diferença é que nós por aqui não alardeamos tanto as coisas como os nossos colegas norte-americanos!

No seu entender, quais diria que são as 3 tecnologias mais importantes neste campo e que não podem mesmo deixar de ser adotadas?

A cloud é fundamental para a transformação digital, pois permite a agilidade e a escalabilidade de que as organizações precisam para ficar à frente da concorrência. Vemos grandes plataformas SaaS a serem adotadas em várias organizações, como a Salesforce, a ServiceNow. Frequentemente, estas são adotadas fora do departamento TI tradicional para proporcionarem melhorias rápidas na gestão de relações com os clientes, por exemplo.

A IA anda por cá há muito tempo, mas só agora começa a dar nas vistas com a utilização de aplicações de aprendizagem de máquina em tudo, desde deteção de defeitos na manufatura até aos veículos autónomos. Até ao fim do próximo ano, prevemos que todas as empresas de manufatura irão usar IA em pelo menos parte da sua cadeia de valor, seja na logística, na manufatura ou na manutenção.

A IoT está a tornar-se omnipresente em muitas indústrias e apresenta muitas formas. Em particular, os wearables empresariais estão a crescer a um ritmo mais rápido do que os wearables de consumo. Os clientes estão a usar wearables para a segurança dos trabalhadores, incluindo o uso de ecrãs em capacetes, bandas vitais e crachás inteligentes. Cada vez mais clientes percebem que têm de assegurar que há um serviço ponta-a-ponta que inclua hardware, software e managed services.

O que está a Fujitsu a fazer neste âmbito para ajudar as organizações a adotarem políticas de transformação digital?

Estamos a fazer um trabalho fantástico de transformação digital com os nossos clientes, incluindo a disponibilização de uma solução IA à Siemens Gemesa que melhorou drasticamente o modo como as lâminas das turbinas eólicas são fabricadas. Também ajudámos o Belfius Bank a tornar a sua solução de banca móvel no canal preferido dos seus clientes. Mas há mais exemplos, como a transformação que estamos a fazer no modo como os retalhistas petrolíferos gerem o serviço aos clientes e também em como as empresas de logística estão a melhorar a segurança dos motoristas. Também ajudámos uma organização do sector público a adotar novas formas de trabalho para abraçar as soluções cloud.

E que oferta apresentam?

Vemos quatro aspetos em que podemos ajudar os nossos clientes. Um está relacionado com o domínio da inovação empresarial e com ajudá-los a introduzir novos modelos de negócio, produtos e serviços e também a envolverem-se com novas bases de clientes. Outro é o domínio da experiência do cliente. Isto tem a ver com atrair, reter e agradar aos clientes. O terceiro consiste em ajudá-los a dominar a produtividade da empresa e a tornar a sua força de trabalho mais eficiente, eficaz e focada no que é importante para os seus clientes. Por fim, mas não menos importante, está o domínio do bem-estar e da conformidade. Este prende-se com o cuidar de um dos bens mais importantes que uma organização tem: as suas pessoas.

Qual o papel dos parceiros no âmbito da vossa estratégia global neste campo?

Na verdade, a única forma de disponibilizar o digital é através da colaboração e isso vai ao encontro do posicionamento de co-criação digital da Fujitsu. Até nós admitimos que não temos todas as respostas, mas o caso muda de figura se juntarmos o conhecimento do negócio por parte do cliente, a nossa competência tecnológica e talvez alguns parceiros de empresas mais pequenas ou do mundo académico. Se juntarmos tudo isso, é possível encontrar soluções excelentes.

As parcerias são absolutamente essenciais para o sucesso da transformação digital. A co-criação não é só uma forma de promover a confiança; para mais de um terço dos inquiridos (38%) é algo que consideram uma capacidade essencial para qualquer organização que pretenda prosperar num mercado afetado pela disrupção digital.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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