«Há falta de maturidade nas empresas que tardam em perceber que a adoção da Cloud é irreversível»
Vítor Rodrigues, CEO da Magic Beans
No início deste ano, a Magic Beans, anunciou ter encerrado 2022 com uma faturação de 3 milhões de euros, que representaram um crescimento de 75%. Vocacionada para a prestação de serviços de aconselhamento em tecnologia para a Cloud, a empresa fundada em 2017 por Vítor Rodrigues tem mantido uma aposta forte na internacionalização, com operações iniciadas já em vários mercados, mas é mais cautelosa na abertura de escritórios físicos para acompanhar essa expansão internacional.
Com escritórios já em Portugal, Espanha e Bélgica, a tecnológica chega também a outros mercados – Alemanha e Áustria, como já tinha anunciado são prioridades para 2023 – mas sem decisões tomadas para reforçar a presença física em novas geografias.
Em conversa com o NTech.news, o CEO da Magic Beans deixa mais alguns detalhes sobre a estratégia para 2023, que volta a passar pelo reforço da equipa de recursos humanos, neste momento com 70 pessoas, embora o plano conhecido fosse no sentido de terminar o ano com 100, o dobro das que tinha em 2021.
Como explica o responsável, a concorrência em Portugal a este nível é forte. «Competimos com as empresas globais que abrem escritórios em Portugal, só para contratarem portugueses para trabalharem nos seus países de origem, com uma capacidade financeira totalmente diferente de Portugal». A Magic Beans defende que está numa espécie de campeonato à parte e pode levar mais de um ano a formar cada novo colaborador.
Ntech.news: Que balanço podem fazer deste ano e dos objetivos que tinham traçado em termos de crescimento?
Vítor Rodrigues: O balanço é extremamente positivo avaliando todo o contexto económico e os desafios constantes que se nos depararam ao longo do ano. Conseguir terminar o ano com um crescimento significativo das nossas operações e, em paralelo, conseguir dotar a empresa de todas as plataformas e processos que nos vão permitir continuar a crescer de forma sustentada e controlada, são, na minha opinião, os grandes feitos alcançados este ano.
Ntech.News: O negócio internacional representa neste momento quanto na operação?
V.R.: Cerca de 20 %
Ntech.News: Em 2022 lançaram um centro de nearshore dedicado à modernização aplicacional. Como tem corrido esta aposta, será um dos vetores de crescimento para 2023?
V.R.: Esta é uma das vertentes onde, apesar de termos conseguido avançar significativamente, não foi à velocidade que queríamos. São temáticas muito novas e inovadoras, nas quais não existe conhecimento no mercado, pelo que tivemos de investir bastante na criação das metodologias e dos processos, formar as nossas pessoas e, em simultâneo, ajudar os nossos clientes a contextualizarem e priorizarem iniciativas. Acreditamos que 2023 será um ano de crescimento muito acentuado, em virtude do investimento realizado em 2022.
Ntech.news: Quais são as outras principais apostas de crescimento este ano?
V.R.: Continuar a apoiar os clientes na adoção da Cloud, de forma sustentada e permitindo retirar o máximo desse investimento, evitando custos acrescidos e não estimados. Apoiar os clientes na manutenção das suas plataformas em Cloud com o nosso serviço de Managed Services, no qual somos a única empresa portuguesa a deter a certificação da AWS. Disponibilizar os nossos serviços de consultoria de Modernização Aplicacional que é fundamental para tirar todo o partido das características nativas da Cloud.
Ntech.news: A internacionalização tem sido uma prioridade. Em 2022 chegaram a considerar a abertura de mais um escritório no segundo semestre. Esse plano ficou sem efeito porquê?
V.R.: De facto, no início do ano de 2022, tínhamos em plano abrir mais um escritório fora de Portugal, mas em virtude do cenário de instabilidade e imprevisibilidade económica, com o advento da guerra da Ucrânia, a inflação, o aumento das taxas de juro, decidimos adiar e reavaliar este ano essa possibilidade, em função da evolução dos mercados. Não está claro nesta fase se vamos avançar com a abertura de mais escritórios para além das geografias onde já estamos (Portugal, Espanha e Bélgica). Vamos ter de aguardar, observar e avaliar se existem condições de estabilidade para avançarmos.
Ntech.news: Chegaram ao final do ano com 70 colaboradores (tinham previsto 100). Para 2023 querem continuar a crescer nesta área dos RH?
V.R.: O plano para 2023, é crescermos até aos 120 colaboradores. O crescimento de colaboradores da nossa empresa, não é apenas contratar, não somos uma empresa de Outsourcing. Contratamos jovens portugueses, com vontade de aprender e que querem crescer com a empresa.
Os nossos profissionais têm uma primeira fase de formação de cerca de 4 meses, complementada com mais 6 a 8 meses de formação prática. Fazer isto num pequeno país como Portugal, com uma economia pequena e com pouca capacidade de investimento, é um desafio enorme.
Competimos com as empresas globais que abrem escritórios em Portugal, só para contratarem portugueses para trabalharem nos seus países de origem com uma capacidade financeira totalmente diferente de Portugal. Por este facto, a internacionalização das nossas operações é crítica e um dos fatores de sustentabilidade da operação.
Ntech.News: Neste arranque de ano, e nas áreas que abordam, para onde estão voltadas as prioridades de investimento das empresas e os maiores receios, no que se refere às TI?
V.R.: O que observamos no mercado é que ainda há uma certa falta de maturidade por parte de algumas empresas que tardam em perceber que a adoção da Cloud é um processo irreversível. Quanto mais tardiamente se capacitarem, se adaptarem e tirarem o máximo partido da Cloud menos competitivas serão.
Por outro lado, existe um número já significativo de empresas que querem perceber como podem beneficiar e melhorar as suas operações com a Cloud. Nestas organizações, observamos cada vez mais uma preocupação com a monitorização e otimização constante dos custos, simplificação das operações de manutenção e cuidados com a segurança e a resiliência. Nesta última vertente, o nosso serviço de Managed Services, suporta os clientes para estes poderem estar focados naquilo que é o seu negócio, deixando para a Magic Beans a operação e a manutenção corretiva e evolutiva.
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