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Stephen Hawking foi surpresa no Web Summit, mas o que disse veio sem surpresas

Publicado em 7 Novembro 2017 por Ntech.news - Rui da Rocha Ferreira | 488 Visualizações

Web Summit Stephen Hawking

Ponto alto da sessão de abertura da segunda edição do Web Summit em Portugal? A participação do físico teórico Stephen Hawking que falou para as milhares de pessoas que encheram o Altice Arena no arranque daquele que é um dos maiores eventos de empreendedorismo e tecnologia do mundo.

Stephen Hawking partilhou as suas ideias através de teleconferência e trouxe uma mensagem mista: é preciso prestar especial atenção à realidade virtual, pois pode transformar o mundo para melhor, mas também pode deixar a humanidade à beira do fim.

A mensagem acabou por não ser uma completa novidade para aqueles que acompanham o discurso de Hawking relativamente à inteligência artificial. Mesmo considerando-se um otimista nesta temática, a verdade é que as declarações mais fortes do britânico estão sempre conotadas com um sentido mais negativo.

«Talvez devêssemos parar um momento para não continuar a evoluir a inteligência artificial, mas para maximizar os seus benefícios para a sociedade», alertou.

O investigador não tem problemas em afirmar que uma má gestão da inteligência artificial pode levar à extinção da raça humana, não tendo também problemas em apontar sempre um caminho menos pesado sobre o que será o futuro da inteligência artificial. «Talvez com as ferramentas desta nova revolução tecnológica vamos conseguir desfazer alguns erros passados, como a industrialização e a pobreza».

Num mundo em que cada um parece estar a trabalhar para benefício próprio – Google, Microsoft, Facebook e Amazon são exemplos de empresas que estão em separado a desenvolver sistemas de inteligência artificial -, o físico referiu um estudo recente do MIT para pedir a criação de uma agência europeia de robótica e inteligência artificial.

O objetivo é garantir supervisão aos desenvolvimentos que vão sendo feitos nesta área. «A inteligência artificial pode existir em harmonia connosco. Apenas precisamos de estar cientes dos perigos (…) e prepararmo-nos antecipadamente», alertou.

Não vale a pena tentar parar a inovação

António Guterres apresentou-se no Web Summit não como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas sim como alguém que se formou em engenharia. «Vimos um grande impacto da tecnologia nas nossas vidas e foi acima de tudo para melhor», disse o português no evento de abertura.

«Mas houve um dano colateral por causa deste crescimento: alterações climática e aumento da desigualdade», acrescentou logo de seguida.

«As alterações climáticas são a grande preocupação dos nossos tempos. Esta é a maior ameaça que temos atualmente ao nosso planeta», defendeu António Guterres, para depois também lembrar que as oito pessoas mais ricas do mundo têm tanto dinheiro como a metade mais pobre da população mundial.

Estes são problemas graves e cuja solução não está à vista no curto prazo – se é que algum dia terão solução. «Temos de lutar por uma globalização justa. (…) A boa notícia é que a ciência está do nosso lado», disse o engenheiro.

Para António Guterres, as pessoas que tentam parar a inovação estão a ter uma «reação estúpida» e estas pessoas não têm razão no que dizem. Além disso também é preciso «deixar de lado a abordagem inocente de que as regras que temos atualmente podem resolver os novos problemas».

Foi aí que o secretário-geral da ONU destacou a importância de eventos como a Web Summit: é uma plataforma para a discussão de ideias e na qual é possível usar a diferente experiência que todos têm para resolver os grandes problemas da atualidade.

«Temos de juntar empresas, cientistas, governos, mas também a academia, a sociedade civil nesta discussão», defendeu o porta-voz da ONU.


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Atualidade

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