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Dados continuam a ser o calcanhar de Aquiles nas instituições públicas

Publicado em 25 Julho 2025 por Ntech.News | 430 Visualizações

Enquanto as expectativas em torno da Inteligência Artificial (IA) disparam no setor público, uma nova geração de tecnologias, a Agentic AI, promete transformar a forma como os governos servem os cidadãos. No entanto, por detrás do entusiasmo, esconde-se um problema estrutural: a esmagadora maioria das instituições ainda não tem os dados preparados para dar o salto.

O estudo “Data foundations for government – From AI ambition to execution”, do Research Institute da Capgemini”, conduzido entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, com base em inquéritos a responsáveis de topo de 350 organizações públicas, revela que mais de 90% das organizações do setor público planeiam testar ou implementar tecnologias de Agentic AI nos próximos dois a três anos. Mas apenas 21% afirma ter os dados necessários para treinar e ajustar modelos de IA.

Marc Reinhardt, Public Sector Global Industry Leader da Capgemini, refere que com as crescentes exigências dos cidadãos e os recursos limitados, as organizações do setor público reconhecem que a IA as pode ajudar a fazerem mais com menos. No entanto, este responsável diz que é preciso não esquecer que «a capacidade de implementação da Gen AI e da Agentic AI depende largamente de bases de dados sólidas».

De acordo com o estudo, dois terços das instituições públicas já estão a explorar ou a aplicar IA generativa (Gen AI) em projetos-piloto ou em larga escala. A área da defesa lidera com 82% de adoção, seguida pela saúde (75%) e pela segurança (70%). Esta tendência marca uma mudança profunda na estratégia digital dos governos, cada vez mais pressionados a responder com agilidade a desafios sociais complexos.

Os entraves: confiança, regulamentação e falta de maturidade

Apesar da ambição, as instituições públicas enfrentam sérios desafios operacionais. A segurança dos dados (79%) e a confiança nos resultados gerados por IA (74%) surgem como os principais obstáculos à adoção generalizada. Na União Europeia, a conformidade com o novo Regulamento Europeu da IA é outra preocupação: apenas 36% das organizações se sentem preparadas para responder às exigências legais.

O estudo mostra também que o progresso na maturidade digital tem sido lento. Só 12% das organizações se consideram muito maduras na ativação dos dados, e apenas 7% afirma ter competências sólidas em IA e gestão de dados. Esta falta de capacidade técnica e organizacional limita o uso eficaz da IA, mesmo nos casos em que há vontade política.

Partilha de dados: essencial mas pouco desenvolvida

A partilha de dados é apontada como um fator crítico para o sucesso da IA, uma vez que permite melhorar os modelos e a qualidade das decisões. No entanto, 65% das organizações ainda se encontram nas fases iniciais da implementação de iniciativas de partilha — um cenário que compromete a criação de ecossistemas colaborativos dentro do setor público. Além disso, as preocupações com a soberania dos dados, a cloud e os limites éticos da IA continuam a travar avanços mais significativos.

Novos protagonistas ganham terreno

Para responder a estes desafios, o setor público está a reforçar as suas estruturas de liderança. Atualmente, 64% das organizações já têm um Chief Data Officer (CDO) e 24% planeiam nomear um. Já os Chief AI Officers (CAIO), uma função emergente, estão presentes em 27% das instituições, sendo que 41% pondera criar esta posição de topo nos próximos anos.

Este reforço da liderança executiva especializada sinaliza uma nova era na transformação digital do setor público, mais estratégica, mais orientada por dados, mas ainda muito dependente de infraestruturas e competências que continuam por consolidar.

Olhando para o futuro, Marc Reinhardt acredita que os governos poderão ser mais ágeis e eficazes, com a IA a apoiar o trabalho dos funcionários públicos na recolha de informações, na análise das políticas, na tomada de decisões e na capacidade de resposta aos pedidos dos cidadãos. Porém, para que tal se torne uma realidade, o responsável garante que é «essencial que os governos se foquem neste momento em investir em infraestruturas de dados e em quadros de governação adequados».


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