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Como as grandes empresas em Portugal estão a usar as novas tecnologias para se reinventarem

Publicado em 27 Setembro 2017 por Ntech.news - Rui da Rocha Ferreira | 579 Visualizações

Digitalização empresas portuguesas

Sabia que o conselho de administração da EDP Distribuição utiliza o WhatsApp como uma ferramenta de comunicação durante alguns dos seus processos de decisão? Este não é um exemplo de fazer cair o queixo, mas não deixa de ser um caso curioso de como as ferramentas que os ‘comuns’ mortais usam no dia a dia também estão a ter um impacto na forma como as empresas se organizam.

Viver e trabalhar sem tecnologia é algo que os principais executivos de algumas grandes empresas em Portugal já não conseguem imaginar. Unilever, Caixa Geral de Depósitos, EDP Distribuição e José de Mello Saúde estiveram no 27º Digital Business Congress, organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), para partilhar que novas tecnologias estão a implementar e como estão a adaptar-se aos tempos modernos.

O caso da Unilever

A Unilever destacou a grande aposta que tem feito na comunicação digital. Se há três anos apenas 10% do orçamento de comunicação era dedicado aos canais digitais, atualmente esse investimento já representa 25%. O diretor executivo da empresa em Portugal, António Casanova, lembrou por exemplo que o Facebook permite atingir um alcance muito maior do que os canais de televisão garantem – apesar de também considerar que as redes sociais ainda têm de provar o seu valor na eficácia da transmissão da mensagem.

A curto prazo o plano da empresa é fazer crescer a representatividade do eCommerce na sua atividade comercial e garantir que está preparada para responder às questões dos consumidores. Pois se as redes sociais trouxeram de facto um público mais alargado, estas plataformas também abriram caminho para uma comunicação mais facilitada entre as partes – e o silêncio das empresas não é uma opção.

O caso da Caixa Geral de Depósitos

Já a Caixa Geral de Depósitos diz que é responsável por executar 1,1 milhões de operações digitais todos os dias. O presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, revelou durante o debate que os clientes do banco são responsáveis por 50% das operações de internet banking realizadas em Portugal. Apesar do valor positivo, o executivo não teve dúvidas em dizer que «há muito por fazer».

A Caixa Geral de Depósitos tem tentado sobretudo encurtar processos, dar maior comodidade aos seus clientes e apetrechar os seus serviços com novas funcionalidades. Um exemplo dado no congresso foi o da possibilidade de abertura de conta na CGD em apenas cinco minutos. Este processo otimizado está a ser utilizado nas universidades, usando o banco a base de dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) para preencher de forma automática e rápida os dados dos novos clientes. Depois basta uma fotografia captada com um tablet e o processo está concluído.

Paulo Macedo revelou outro exemplo concreto. A Caixa Geral de Depósitos tem apostado em sistemas de automação robótica de processos (RPA na sigla em inglês) e uma das áreas práticas onde estas ferramentas já são usadas é no registo de processos de insolvência – um humano demora 12 minutos a concretizar este registo, um RPA demora apenas minuto e meio.

«As tarefas repetitivas, como o carregamento de garantias, são feitas de forma mais eficiente pelos robôs. O software autónomo especializado que não precisa de interação humana consegue eliminar um conjunto de tarefas redundantes», explicou Paulo Macedo.

O caso da José Mello Saúde

Por seu lado, a José Mello Saúde tem apostado uma boa parte da sua imagem tecnológica na aplicação myCUF. Atualmente a aplicação já tem 250 mil utilizadores e o objetivo é duplicar este número, pelo menos, até ao final de 2018.

O diretor executivo da empresa, Salvador de Mello, recordou um episódio no qual a Comissão Executiva discutiu se o grupo devia ou não apostar nas redes sociais. Numa primeira etapa a decisão foi negativa, mas alguns meses depois todos perceberam que tinha sido cometido um erro. «Meses mais tarde caímos em nós e definimos que era necessário aproveitar a oportunidade de comunicar mais e melhor com os clientes e alargar esta base de clientes», salientou o CEO.

Salvador de Mello partilhou depois uma das ideias mais marcantes do debate. Se antigamente a empresa preocupava-se apenas com a concorrência direta, isto é, outros grupos de saúde, hoje a preocupação estende-se a empresas tecnológicas que de um momento para o outro podem ameaçar o modelo de negócio, seja uma Apple, uma Google ou uma startup.

Talvez por isso é que a José de Mello Saúde criou uma iniciativa de empreendedorismo que identificou 180 startups para uma potencial colaboração e que resultou em 13 projetos piloto em perspetiva, sendo que quatro destes já estão a ser executados.

O caso da EDP Distribuição

Então e a EDP Distribuição, é só WhatsApp? Nada disso. Uma das apostas tecnológicas da empresa recai, por exemplo, sobre os drones. As aeronaves não tripuladas estão a ser usadas para efeitos de inspeção de linhas, pois 80% das linhas de distribuição de eletricidade em Portugal são aéreas. «O drone ajuda e ajuda a ver de forma muito cuidada um pormenor no topo de um poste com 15 metros», explicou o presidente da EDP Distribuição, João Torres.

Também junto dos clientes está a ser feita uma aposta tecnológica, sendo que dos seis milhões de contadores de eletricidade que a EDP tem em Portugal, um milhão já são smart meters, isto é, contadores inteligentes. Destes, apenas 14 mil já estão integrados na rede de analítica da empresa, mas este é um cenário que vai ser trabalhado ao longo dos próximos anos.

Por fim, e também da EDP Distribuição, vem outro exemplo de como a tecnologia vai estar ao serviço dos clientes. Na prática a empresa está a desenvolver um serviço semelhante à da Uber, incluindo no interface gráfico, que vai permitir ao consumidor controlar o posicionamento do piquete de apoio. Em vez de alguém ficar duas ou três horas à espera do piquete, o consumidor poderá ver através da aplicação da EDP a sua localização no mapa.


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