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Indústria Transforma-se para Nova Realidade

Hiroshi Nishikawa, Director da Divisão de Planeamento Estratégico, da Fujitsu

Publicado em 21 Setembro 2020 | 184 Visualizações

A pandemia deste ano foi um sinal de alerta para muitos fabricantes. Apesar de alguns terem feito grandes progressos na digitalização das suas fábricas e na agilização dos seus processos, toda esta agitação colocou a descoberto muitos dos desafios que a indústria ainda enfrenta, como a sua vulnerabilidade a perturbações nas cadeias de abastecimento.

Também ficou patente a importância de se ser ágil e reativo de forma a conseguir adaptar-se a acontecimentos inesperados. Veja-se o exemplo da Fujitsu que numa das suas instalações, em Málaga, Espanha, conseguiu rapidamente mudar em termos de funcionamento, passando do fabrico de sensores para o fabrico de ventiladores. Isto foi possível porque as suas operações geridas digitalmente possuem a capacidade de facilmente se adaptarem para responder a mudanças nas prioridades.

É provável que a situação de pandemia obrigue os fabricantes a serem mais flexíveis no que diz respeito a alterações nos seus modelos de trabalho. Isto pode implicar a instalação de tecnologia 5G ou de realidade virtual, ou a ativação de controlos remotos para os processos da fábrica.

A importância crescente do ecossistema

À medida que o fabrico de produtos tradicionais se transforma em experiências, as parcerias necessárias para chegar aos clientes também estão a mudar. Os fabricantes não podem ir sozinhos ao encontro das expectativas cada vez maiores dos clientes, motivo pelo qual estão a desenvolver ecossistemas complementares que promova a inovação conjunta e disponibilize as experiências valiosas que os clientes esperam ter.

Estes ecossistemas podem incluir empresas direcionadas para os clientes, empresas digitais e empresas capazes de produzir rapidamente protótipos rentáveis de modo a disponibilizar a experiência completa. Peguemos no exemplo do ecossistema em torno dos futuros fabricantes de automóveis. À medida que o sector transita para um modelo de mobilidade orientado pelo cliente, cada fabricante terá de criar todo um novo ecossistema de fornecedores para os diferentes aspetos dessa forma de mobilidade. A experiência pode juntar transportes públicos, serviços de partilha de bicicletas, veículos autónomos on-demand e até serviços de transfer. Para serem eficazes, estes ecossistemas têm de estar ligados através de tecnologias digitais de maneira a terem informações e visibilidade em tempo real.

O Valor da Sustentabilidade

Os consumidores estão a mudar a indústria com o seu poder de compra, optando cada vez mais por comprar às empresas que possuem um histórico comprovado em termos de sustentabilidade. Nunca foi tão grande o escrutínio sobre as empresas, havendo um interesse sem precedentes dos consumidores em tudo, desde o local onde as empresas obtêm as suas matérias-primas e o modo como as extraem até à forma como tratam e remuneram os trabalhadores que criam os produtos ou serviços. Estes fatores também desempenham um papel cada vez mais importante na atracão e retenção dos colaboradores, a ponto de o sucesso de muitas empresas estar agora associado à sua credibilidade no que toca a trabalhar em prol de um mundo melhor.

Para ajudar as empresas a enquadrar os seus esforços neste campo, as Nações Unidas definiram quais os problemas sociais globais mais prementes, reunindo-os sob a designação de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os ODS pintam uma imagem do mundo “como ele devia ser” até 2030 e convidam as empresas e os indivíduos a identificarem os passos que necessitam de dar no imediato e no futuro para alcançar esses objetivos.


Publicado em:

Opinião

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