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«O recrutamento nas TI vai continuar a ser uma dificuldade e é essencial que as empresas se preparem»

Publicado em 8 Julho 2019 | 222 Visualizações

Nicole Ferreira HRB Solutions


A HRB Solutions é uma consultora de recursos humanos que decidiu contornar a dificuldade em recrutar profissionais nas áreas tecnológicas promovendo formação. Tem três tipos de academias, parcerias com empresas que integram os formandos e subsídios para apoiar o período de formação, que se foca em hard e soft skills. 

Neste momento, a Up Academy trabalha com seis empresas e já formou 126 pessoas, escolhidas entre mais de 1.900 candidaturas. Para já está em Lisboa, mas Nicole Ferreira, responsável de comunicação da HRB Solutions e da Academia, admite que há planos para chegar a novas geografias.

A frequência dos cursos é gratuita e o subsídio que os formandos recebem durante esse período é financiado pelos promotores e não tem de ser desenvolvido após integração no mercado de trabalho, garante a empresa.

Ntech.news: Porque decidiu a HRB Solutions investir nesta área e na criação da Up Academy?

Nicole Ferreira: Mais do que uma ideia de investimento, verificou-se ser uma necessidade real. Enquanto consultora de recursos humanos sofremos a grande dificuldade no recrutamento de perfis na área Informática. Precisávamos de uma solução prática e de mudar o mindset existente. A tecnologia está em crescimento exponencial e não vai abrandar. Logo, o recrutamento de profissionais de TI vai continuar a ser uma dificuldade e é essencial que as empresas se preparem para essa realidade e procurem alternativas.

Há hoje vários projetos deste género, o que distingue a oferta da Up Academy?

N.F.: A UP Academy é mais do que uma formação em TI. É um percurso integrado, que se inicia com formação e é ajustável às necessidades do cliente. Isto permite que todas as acções sejam feitas com objetivos pré-determinados.

Um aspecto importante é o complemento das Hard Skills com Soft Skills. Mais do que as competências técnicas, formamos os candidatos em termos comportamentais e comunicacionais. Hoje em dia esta associação é fundamental. Existe também um sistema gradual de aprendizagem e de integração no cliente. Todos os passos foram calculados com vista ao sucesso.

É esse posicionamento que vos distingue? 

N.F.: Distinguimo-nos porque trabalhamos para formar aquilo a que chamamos um Consultor de Tecnologias de Informação. Mais do que um técnico informático, é alguém que terá capacidades analíticas, estratégicas e de acção e que consiga encontrar soluções tecnológicas eficazes e que vão ao encontro das necessidades e objetivos do cliente.

Para o cliente, a grande vantagem da Up Academy é que lhe dá a possibilidade de intervir naquilo que será a formação base do seu futuro colaborador. É uma forma de alargar a base de recrutamento, já que o modelo tradicional de recrutamento está esgotado. De focar a sua atenção em determinados aspetos e de orientar a formação para os objetivos a que se propõe.

Para o formando, é a forma de entrar numa nova área com formação teórica, seguida de integração de uma forma acompanhada, sem custos. São sempre cursos em tecnologias atuais e de grande procura no mercado, com remunerações acima da média.

Que balanço fazem da iniciativa?

N.F.: É muito positivo. Estamos agora a preparar a 11ª academia. Isto significa que, desde que começámos este projecto e até ao momento, já recebemos 1900 candidaturas. No total são 126 formandos, ou seja, formações na área informática que permitiram uma alteração total de carreira.

Neste momento, estamos focados no desenvolvimento de novos serviços e na disponibilização de um leque formativo cada vez mais completo e ajustado às necessidades das empresas. Queremos lançar mais Academias e Formações de Testers e RPA (Robotic Process Automation).

Quantas empresas têm a trabalhar convosco e a integrar formandos?

N.F.: Temos seis grandes clientes com quem trabalhamos e com os quais os resultados têm sido extremamente positivos, considerando que dos formandos da Up Academy temos atualmente: 61% developers; 18% analistas funcionais; 13% testers e 8% suporte. O tipo de empresas varia considerando que temos clientes das mais variadas áreas de atuação. Mas, maioritariamente, empresas de tecnologia e consultoria. 

A integração dos formandos no mercado de trabalho é feita em contexto de estágio ou contrato de trabalho? Como funciona?

N.F.: Todo o investimento durante o processo formativo é suportado pelo cliente e HRB pelo que não há nenhum custo associado para os formandos. A metodologia de ensino começa com três meses teóricos e práticos em JAVA, onde os candidatos recebem ajudas de custo. Seguem-se seis a oito meses, com bolsa de formação e onde os formandos estão integrados na sede do cliente com desafios tecnológicos reais e um programa específico de soft skills.

Aquando a conclusão da academia, o tipo de integração é definida pelo cliente e determinada conforme a performance e variável devido ao sector de actividade.

Para este ano quais são os planos no que se refere ao nº de formações a realizar e de jovens a formar?

N.F.: O nosso objectivo é sempre fazer pelo menos três academias por ano. Contudo, trabalhamos sempre com base nas necessidades dos nossos clientes e só iniciamos os processos de recrutamento quando o projeto está definido. Cada formando tem sempre um cliente e um projeto associado.

Qual é o perfil das pessoas que vos chegam?

N.F.: Temos três públicos diferentes, consoante a Academia. A Starter dirige-se a jovens, com raciocínio lógico/matemático, interesse por novas tecnologias, frequência universitária e com conhecimentos de inglês. A PRO dirige-se a licenciados ou mestres em áreas tecnológicas e com conhecimentos de inglês. A Upgrade não tem um público específico, moldando-se conforme a necessidade. Será para quem quiser aprender uma nova tecnologia ou quiser reciclar os seus conhecimentos. 

Têm planos para estender as vossas academias a outras zonas do país, ou a outros programas de formação na área das TI?

N.F.: Queremos muito chegar a outras zonas geográficas, mas ainda não temos previsões reais neste sentido. A nível dos programas, as formações mais procuradas são em Java, OutSystems,.NET, Angular e Node. Neste momento, temos disponíveis mais de 30 formações diferentes, em diversas tecnologias, que podem ser ajustadas às necessidades do cliente e às suas características. Estamos sempre a tentar evoluir e a alargar a nossa formação o mais possível.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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