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Recrutamento em IT – Como superar os desafios no setor mais dinâmico em Portugal?

Paulo Ayres , Spring Professional

Publicado em 27 Novembro 2018 | 286 Visualizações

O elevado volume de vagas para especialistas em IT em Portugal é notório. Numa rápida pesquisa de vagas nos principais portais e redes sociais profissionais, percebe-se que há muito mais oportunidades em IT do que em qualquer outro setor de atividade. E há diversos motivos para tal: um ecossistema muito favorável para as Startups, custo de mão-de-obra qualificada mais reduzido em comparação a outros países da Europa, dificuldades sentidas em países que tradicionalmente atraem novas empresas, além do conhecido equilíbrio entre custo e qualidade de vida e clima convidativos.

Ao nível das Startups, são dois “Unicórnios”: startups com faturação superior a mil milhões de Euros; mais de 2 mil empresas incubadas e inúmeras feiras de negócio focadas neste mercado – incluindo a Websummit, a maior conferência focada em alta tecnologia do mundo, que vai para sua terceira edição na capital Portuguesa – o que atrai constantemente investimentos e, pouco a pouco, fazem a cidade tomar conquistar o posto de capital europeia do empreendedorismo, lugar anteriormente detido por Berlim.

O custo de mão-de-obra mais baixo, equilibrado com as qualificações dos profissionais com bom nível de Inglês e mais facilidade de adaptação às diferentes culturas europeias, também trouxeram para Portugal diversos Shared Services. Estes centros de especialidade atendem, remotamente, empresas de um determinado grupo em diversas partes do mundo.

Aliado a isso, países tradicionalmente afeitos ao empreendedorismo como a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos têm enfrentado dificuldades para atrair negócios. A Alemanha por ter um ambiente menos flexível e rápido, os Estados Unidos pela estratégia de empreendedorismo do atual presidente e o Reino Unido pelo Brexit. Estes fatores colocam Portugal numa posição privilegiada.

Tudo isso transforma o nosso país no paraíso dos recrutadores e dos recursos humanos das empresas, correto? Não exatamente. O grande desafio hoje do recrutamento em IT é simples e, ao mesmo tempo, complexo: encontrar candidatos. Existe um maior número de oportunidades do que candidatos disponíveis. Anúncios sem respostas, vagas em redes sociais profissionais abertas há semanas sem candidaturas, networking que já não é suficiente para encontrar o candidato ideal, candidatos que rejeitam propostas por terem outras opções ou mesmo por conseguirem aumentos juntos às empresas em que estão a trabalhar… Este é o cenário em que vivemos e que temos que aprender a trabalhar. E há maneiras de superar esse desafio? Sim, e isso passa por algumas mudanças de postura com o candidato, com o cliente (interno ou externo) e com as vantagens que um mercado atrativo para os candidatos nos traz.

O eterno confronto entre o que o cliente quer – seja esse cliente um colega que está a trabalhar com apoio do RH para encontrar um candidato, seja para o cliente de uma consultoria de recrutamento – e o que o mercado tem a oferecer passa por uma ação específica: Alinhamento de expetativas.  Para tal o recrutador deve ser consultivo, saber o que o mercado tem a oferecer, conhecer os perfis semelhantes noutras empresas, munir o seu cliente com informações precisas em bem balizadas, explicar bem o que há e fornecer alternativas é o melhor caminho para evitar surpresas negativas. Iniciar o processo e colocar de forma clara que o tempo de resposta do cliente tem que ser superior ao outrora praticado: uma semana sem notícias para o candidato pode fazer a diferença entre o candidato aceitar a sua oferta ou a do concorrente.

A gestão do candidato é outro ponto crítico. Informar desde o início com clareza qual será o projeto, perceber desde a primeira triagem telefónica quais são os motivadores de mudança desse candidato e perguntar claramente se o mesmo aceitaria uma contraproposta da empresa atual, são atitudes simples, mas que podem ser decisivas. Além de manter uma proximidade e um feedback constante para não haver surpresas. Criar uma relação profissional de alto nível, fazer uma espécie de coaching com os candidatos é normalmente a melhor forma de fidelizá-los. Estamos num mercado onde o candidato é tão importante quanto o cliente.

Aproveitar que Portugal está no centro das atenções para diversos profissionais de outras nacionalidades pode ser sempre uma ótima opção. Requer alguma atenção em relação aos documentos e permissões de trabalho, mas até nesse campo o governo português tem evoluído de modo que não seja barrada a entrada ao talento.

Há também que prestar atenção às Universidades, já que as principais Universidades do país são celeiros de talentos. Importa por isso estar próximo das instituições, observar os alunos que fazem mestrado integrado e lembrar as empresas que muitas vezes podem ter nos jovens uma opção, cujo potencial tende a superar rapidamente o investimento, sendo que os cursos de tecnologia tendem a ser mais práticos que as outras licenciaturas.

Em suma, houve durante muito tempo uma fuga de talentos devido à crise. Hoje há diversas empresas dispostas a investir nos talentos em Portugal, a ouvir o que o mercado tem e a adaptar-se à realidade. A não ser que o profissional queira aventurar-se pelo exterior, há diversas oportunidades em solo nacional de desenvolver carreiras longas e frutíferas. Cabe a nós recrutadores, o papel de intermediários entre o talento e a necessidade dos clientes internos ou externos. O desafio continua, mas atuar de forma diferente num mercado em transformação é a única maneira de conseguir resultados positivos no recrutamento em IT.

 


Publicado em:

Opinião

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